terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Carta para meu eu passado



Meu querido,

Venho de outro tempo para te dizer que não se aprece, porque amanha pode acontecer tudo, inclusive nada. E que nem tudo vai ser fácil, que você vai ter que superar muitas coisas logo em diante, então comece a aproveitar o bom da vida já em vez de se preocupar tanto, e se desgastar tanto.

Você vai perceber que nem tudo é essa dor que você esconde atrás desse sorriso extrovertido e mentiroso. E você vai descobrir muitos jeitos de sorrir sinceramente, mas não sem encarar muita dor ainda pela frente. Você vai ficar doente vez ou outra, vai ficar triste,  vai perder pessoas e algumas não vão voltar. Mas a vida, apesar de tantas vezes dolorosa, vai ter cada vez mais valor diante dos seus olhos.

Não quebre tanto a cabeça, nem perca tanto tempo, tentando resolver esses seus dilemas intermináveis. As coisas certas virão em seus momentos certos. Muita coisa se passará sem que nem se note enquanto se esforça tanto para se entender consigo mesma. Mas mesmo assim, posso te adiantar que suas maiores dificuldades estarão em superar as barreiras que você mesma se impôs por medo de fracassar.

E vê se bota desde já uma coisa nessa sua cabeça: não dependa do que não depende de você. As pessoas são incertas e as condições variadas demais, então apenas crie expectativas em cima daquilo que você pode buscar sozinha e dê sempre seu melhor, mas saiba que mesmo assim nem sempre isso será suficiente. Você vai ter que mudar seu caminho algumas vezes por isso, mas tenha paciência e mais do que isso, tenha fé. A fé algumas vezes vai ser a única que poderá iluminar seu caminho e quando ela falhar, alguém mais a emprestará a sua até que você se renove.

Sim, você terá pessoas muito boas a seu redor, e pessoas nem tão boas assim. E afinal vai perceber que são apenas pessoas, falhas e incoerentes pessoas. Vai ter que perdoar um ou outro engano e também vai cometer seus muitos enganos. As coisas são como são e você precisa se acostumar com isso, ou vai acabar se matando tentando salvar o mundo do caos.

Não estou dizendo que você vai ter que deixar de lado esse seu senso tão justiceiro, apenas que faça sua parte e apenas sua parte, mesmo que o resto do mundo não esteja fazendo. Porque tudo começa de você. E no final de tudo, é só você.

Me cuida.


De seu eu.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Say...

Me disseram que ninguém é insubstituível, mas eu não acredito nisso. Acredito que cada um tenha seu lugar quando passa pela vida da gente. Acredito que existem várias formas de amar. É claro que eu sei que algumas pessoas podem nos machucar, deixar buracos e vazios que parece que nunca vão parar de doer. Mas param. E você pode substituí-las? Não, não pode. Pessoas que saem de nossas vidas são apenas lembranças, sejam boas ou ruins. E não se pode substituir uma lembrança. Só o que se pode fazer é criar outras e mais outras que amenizem a dor daquelas ruins, até que a dor se vá de vez. Se há inúmeras formas de amar, há também inúmeras formas de sofrer também, está implícito. Mas vale lembrar que você também fará alguém sofrer vez ou outra. E afinal você percebe que nem é tão especial assim, você é só mais um entre tantos amando, sofrendo, superando e machucando outros... Quem é você para dizer que não vale a pena amar? Quem é você para dizer que logo terá outro em seu lugar? Você não sabe quem ou quando alguém virá para ficar. Você não sabe quando ou quem vai decidir deixar também. Deixa estar. Deixa amar. Deixa sair. Mas também deixa entrar. E deixa ficar.

Caso contrário, o vazio ficará, e a dor também.


... Live and let die

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Envelhecer

Adoro gente que me faz sentir uma adolescente boba, mas odeio quando me tratam feito criança, apesar de ter plena convicção de que vou ser pra sempre uma. Uma criança crescida, vivida, não aquela aquela criança sabichona que tinha tanta pressa de crescer. E não cresci muito, pelo menos por fora, mas por dentro, há por dentro só eu sei o tanto que eu cresci, e ainda cresço, quero crescer pra sempre. Ainda que já seja um pouco experiente nessas coisas da vida, sei que só envelhece quem pára de crescer, e eu não quero nunca envelhecer. Não quero ficar uma velha chata e rabugenta. Por fora, já faz um bom tempo que parei de crescer e comecei a envelhecer. A gente envelhece desde o momento em que damos nosso primeiro suspiro, fadados a mortalidade. Hoje as unhas crescem, o cabelo cresce, cresce a flacidez, mas de tamanho mesmo não cresço mais. Por isso aprendi a crescer por dentro, porque é o nosso espírito que não deve nunca envelhecer, nem parar de crescer.

A gente tem muita pressa. Pressa de crescer, de amadurecer, pressa de comer, pressa de chegar, de partir, de mudar, de passar... Quando a gente pára e repara que no meio dessa pressa toda, não é que tudo aconteceu? Não é que dá vontade de voltar a ser criança? A gente tem pressa de ser de maior, tirar carta, dirigir, beber, sair, parece que essa idade nunca chega. E quando chega, voa. E de vez em quando a gente cansa, porque o tempo não é mais o mesmo, o ânimo não é mais o mesmo, o fôlego e o corpo já não são mais os mesmos. E de vez em quando, a gente quer voltar. Voltar a infância, voltar a adolescência, mas com a maturidade que temos hoje pra poder aproveitar muito mais. Pra poder ter menos pressa. Pra ter menos preocupações.

Já reparou como as coisas ficam fora de proporção quando passam? Os problemas gigantes de antes, são meras formigas perto dos de agora. Assim como as responsabilidades, os limites e os sonhos que a gente tinha. A moda quando passa é ridícula. Não acredito que vestia aquilo, não acredito que fiz tanto escândalo pra tomar a vacina, não acredito que dancei aquela dança no carnaval, não acredito que chorei tanto por aquela pessoa. Nossos mundos vivem desabando por coisas bobas, a gente só não sabe o quanto são bobas até que as superemos.

Ah, a gente sempre supera. Quem não supera, pára e fica pra trás. Quem não supera envelhece, por dentro e por fora. A gente precisa superar. Superar os medos, os limites, as dores, as coisas e os momentos ultrapassados - repare que o próprio termo já diz "utra" "passado", ultra-mega-super-passado, não tem mais uso. Superar é desapegar, assumir que já não te pertence. A gente precisa superar essa pressa de qualquer coisa. A pressa de ter e a pressa de ser.

Envelhecer por fora é natural, é inevitável, é bonito até. Rugas e flacidez contando histórias de um espírito que continuou jovem, que não teve pressa, que superou o que te envelhecia por dentro. Se por fora não dá pra evitar, a alternativa é aceitar. É se manter jovem por dentro, crescendo, até o último suspiro. Não tenha pressa. No final das contas, ela só vai te levar ao mesmo fim de tudo que se conhece. E a pressa impede que se tire o máximo proveito do que se encontra pelo caminho até lá.


segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Luz acesa

Gosto das coisas assim, as claras. Luz acesa, portas abertas, intenções claras e verdades expostas, sem medos nem ilusões. Expectativas são geradas das ilusões, e são elas destruidoras de corações. Não, prefiro uma verdade que doa do que uma mentira boa.

Não entendo de gente que mente, que finge, que foge. Encaro a realidade de frente, doa a quem doer, dói mais sempre em mim. Ainda assim, eu prefiro. Prefiro olhos nos olhos e franqueza na voz. Prefiro um não sincero do que um sim meio incerto.

Na verdade é tudo bem simples, não tem porque complicar. Me olhe nos olhos e tenha coragem de me encarar, com minhas verdades e meus instintos. Tão transparente que chego a ser misteriosa, e nem sei dos mistérios que carrego dentro de mim.

Mas eu gosto de gente que tem coragem de ser assim, simples em toda sua complexidade. Em toda complexidade e o caos do mundo. Às vezes eu tomo direções contrárias, às vezes me calo quando deveria falar e falo demais quando é mais certo me calar. Às vezes eu falho onde mais desejo acertar. 

O fato é que não existem respostas certas ou respostas erradas. Nem existem meias verdades ou mentiras bem intencionadas. Sinceridade se carrega no olhar. Olhar de gente corajosa que não tem medo de errar e acertar e concertar. Gente que de tão transparente, não encontra lugar nesse mundo doente onde possa se encaixar.

"Não tenho medo do escuro, mas deixe as luzes acesas agora..." (Legião Urbana)

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Em tempos de guerra

Às vezes eu perco a fé. Eu perco o ânimo, perco o fôlego, perco o rumo e o chão.

É tanto desamor. É tanto descaso com a vida. Tanta mesquinharia supervalorizada. Inverteram os valores, inventaram as verdades, mascararam as mentiras, aboliram o respeito. Às vezes, seu desejo que o mundo pare para eu poder descer. E o que é que eu faria se tivesse todo o tempo do mundo para mim? Meu tempo nem é mais meu. Meus sonhos e minhas verdades constantemente ridicularizadas perante a barbárie e o caos em que o mundo se encontra. Ninguém está olhando para dentro.

Muitos até olham os efeitos, mas não enxergam as causas. Muitos procuram a cura para suas dores, mas não compreendem as dores da alma. As dores do mundo. O mundo todo está doente e ninguém vê. Onde estão as ideias revolucionárias? Onde estão os ventos da mudança?

Eu sopro baixinho, e nem sei a força que tenho. Eu não sou nada. Eu sou só um alguém querendo fazer qualquer coisa de bom. Não sou defensora de ninguém. Não sou dona da verdade.

Eu só desejo que haja paz. Que haja tempo. E que se tenha feito todo o necessário caso não haja. Só existe o agora. Ainda que o agora seja dor, seja desamor. Sei, porém, que nem tudo é ausência. E creio que ainda haja esperança para nós, reles mortais. Afinal, quanto vale uma vida humana? Tenho certeza de que vale mais do que qualquer motivo que leve alguém a tirá-la, ou feri-la, com tamanha brutalidade que se tem visto por aí.



Em memória de Denis Casagrande, brutalmente assassinado em uma festa de faculdade na madrugada desta sexta para sábado (21 de setembro de 2013), em Campinas/SP. Infelizmente mais um post de luto. Paz e solidariedade aos familiares e amigos mais próximos do dedé, que agora descansa em paz.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Aprendendo com a dor

Você já perdeu alguém?

Alguém que você amasse muito, alguém que partiu para não voltar mais, alguém que se foi deixando um vazio tão grande dentro de você que transborda, não cabe mais em si. Alguém já levou um pedaço de você consigo?

Não dá mensurar a dor alheia. Isso, eu aprendi com a minha própria dor.

Somos feitos de pedaços, pedaços que a gente doa e pedaços que a gente recebe de outras pessoas ao longo da vida. Ninguém é inteiro sozinho, nem incompleto sem alguém.

Tenho aprendido muito ultimamente. Não só com a dor. Nem tudo é dor. Mas a dor ensina lições que não dá pra aprender em cartilha. Teoria é teoria. Mas você precisa de algumas cicatrizes que te lembrem que o fogo queima se você chegar perto demais, ou a tomar cuidado com objetos afiados, ou olhar por onde anda pra não cair de cara no chão.

Para algumas pessoas, a vida é simples. Rasa. Morna. Essas pessoas conseguem caminhar sem grandes problemas, cair sem grandes estragos e se levantar sem tanta dificuldade. Essas pessoas nem sempre entendem os abismos que outros carregam dentro de si. Não é uma opção, mas sim uma condição.

Talvez seja apenas um azar que enquanto vamos juntando esses pedaços que ganhamos e doamos ao longo da vida, se tropece e se caia em um desses abismos. Pode ser fatal. A gente nunca está preparado para dor, por mais previsível que esta seja. Às vezes a gente sabe que ela virá. E ela vem, devastadora ainda assim.

Não dá pra fugir da dor.


Pelos 3 meses em que Beatriz Schiavinatto deixou esse plano.
E pela morte do baixista Champignon, que estejam enfim em paz.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Que seja simples

Depois de tantos amores complicados, errados e até proibidos, eu só fecho os olhos e faço um pedido: que seja simples. Que dure o quanto tiver que durar, não me importa o tempo, eu não conto mais o tempo. Não me importo com status, não quero promessas, nem juras, nem planos. Eu só desejo a simplicidade de um olhar que sorri ao se encontrar com o meu. Sem joguinhos, sem mistérios, sem dramas. Eu só quero braços abertos onde eu possa me aconchegar, e ficar, o quanto eu puder. Já me acostumei a ter que partir. Já deixo minhas malas prontas para embarcar no próximo ponto. Eu desejo que alguém me faça ficar, alguém em quem eu possa confiar, para enfim poder deixar todas as bagagens para trás. Nem tanto a loucura, nem tanto a estabilidade, o que eu quero mesmo é mera simplicidade. Que seja naturalmente, calmamente, simplesmente. Que seja sem nome, nem descrição, nem declaração, nem idade, nem hora, nem lugar. Apenas que seja. Que seja simples.


sexta-feira, 12 de julho de 2013

Any love

Eu insisto no amor. Ainda que nem sempre acredite e confie cegamente nele. Ainda que eu saiba dos riscos e armadilhas que a gente encontra por ai. Apesar dos pesares, das ilusões e decepções. Por que a vida já fez questão de me esfregar na cara o quão rápido pode nos tirar quem mais amamos. E ao contrário do que se prega nesse mundo fútil e superficial, não é a primeira impressão que fica. O que fica são as últimas palavras ditas, e todas aquelas não ditas. O que fica são as promessas quebradas e os desejos não saciados. Ficam as lembranças, sejam boas ou ruins. Por isso, insisto no amor. Insisto em desejar amor, transmitir amor, viver por amor. Insisto e não desisto. Seja como for e quanto doa. Amor é sempre amor. Mesmo que mude. Mesmo que acabe. Seja como acabe, é sempre amor.

Eu desejo que você, e eu também, sempre tenha a quem amar. Amor é aquela coisa que dá um brilho a mais a vida, que só se encontra quando a compartilhamos com alguém. Seja que nome você dê a seu status, seja qual for sua preferência sexual, seja qual for sua classe, crença ou cor. Ame, ame muito, ame intensamente. Mesmo que se machuque de vez em quando, levante-se e se dê uma nova chance sempre. Ame, e dê valor a quem te ama. Respeite e valorize o amor. Valorize o seu amor, seja por quem for.


Acabei de me tocar que dia 27 de junho, meu pequeno frasco completou um aninho de vida. Sei que ainda está dando seus primeiros passinhos, mas já me enche de orgulho e contentamento, como se fosse mesmo meu primeiro bebê (e é rsrs). Mais uma vez agradeço por toda força e incentivo que recebo de quem aqui lê esses meus pensamentos doidos e soltos. É tudo feito com muito amor. Muito obrigado.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Take me a time

Queria poder apagar a luz, desligar a tv, o computador, o celular, a campainha, a companhia, a minha voz. Ficar quieta em um quarto escuro até amanhecer outro dia, longe dos pesadelos cansativos, da preguiça matinal, do tédio rotineiro. Queria um tempo sobrando, pra ficar parada, sem pressa, sem hora, sem precaução. Poder reiniciar minha mente, formatar tudo que está bagunçado, deletar o que houver de errado. Mas o tempo corre e nunca pára e eu tenho essa sensação desconfortável de que eu é que estou sempre correndo atrás dele, atrás de mim mesma, sempre perdendo a hora, o ponto, a linha. Não sei se ando só, ou se estou só acompanhada. Eu nunca sei a hora de parar, de deixar partir, de insistir ou de desistir. Eu nunca sei por que estou correndo tanto, por que estou afundando nessa cova rasa se foi eu mesma que a cavei. As armadilhas que sem querer eu crio para prender as pessoas e sempre acabo vítima de meu próprio jogo inconsciente. Sentindo a minha falta. Perdida em pensamentos que vem e vão e quase nunca dizem nada. Me apego a um pra ver se sossego, mas sempre há outro que vem do nada me distrair, me ironizar, me confundir. Aqui e ali, sempre errando o passo, sempre seguindo o descompasso de um coração insatisfeito e exigente. Sempre querendo ser mais gente, mais contente, menos ciente. Me equilibrando nessa fina corda bamba que me prende a realidade do mundo que não fui eu que criei. Me criei ao mundo para não me perder nele, e é em mim mesma que eu sempre acabo me perdendo. Nos labirintos que inventei para me proteger, mas que nunca me protegeram de mim mesma e nem de ninguém mais. Me faço e me refaço para não perder todo esse tempo em que eu vivo me perdendo. Me pertencendo mais ao caos do que a serenidade que tanto desejo. Eu vivo no sonho, na realidade, não. Na realidade, eu apenas me perco nessa mania insana de querer me encontrar.


sexta-feira, 21 de junho de 2013

Pra você viver mais

"Como você deve saber, rosas são minhas flores preferidas. Especialmente as vermelhas. Acredito que elas inspiram força, delicadeza, renovação. Rosas nos falam bastante sobre a vida, sua continuidade, persistência e mesmo sua fragilidade. Suas raízes são firmes o suficiente para sustentar toda a roseira. Suas folhas disfarçam sua singela maldade presente nos espinhos que intenciona usar como proteção para si. Mas logo ali estão as flores, exuberantes, belas e delicadas como veludo, com seu perfume contagiante, fazendo valer a pena qualquer esforço, mesmo contornar os seus espinhos, para que possamos tê-la por perto. Tem uma música antiga, do Johnny Cash, que diz assim:

"A flower not fading nor falling apart,
If you're tired, rest your head on my arm.
Rose of my heart."

Traduzindo, "uma flor não desvanecendo nem caindo aos pedaços, se você está cansado, descansa a cabeça no meu braço, rosa do meu coração". Saiba que você é a rosa do meu coração, e permanecerá sempre inteira, intacta aqui dentro. Os caminhos são difíceis, disso estamos cansadas de saber. Mas lembre-se das rosas. Lembre-se que sempre que depois dos espinhos, estão as rosas.

E dito tudo isso, te ofereço 21 rosas para 21 primaveras. Porque com as conquistas e os desafios, já chegamos aos 21 anos. E se chegamos até aqui, só prova que ainda podemos ir mais longe, porque não?"


Escrevi essa carta para Beatriz Schiavinatto, minha amiga do sorriso lindo e olhos cor-de-mel, que completaria 21 anos hoje, mas não tive tempo de entrega-la. Ela faleceu na semana passada, depois de lutar bravamente por um ano contra o câncer. Escrevi para ser algo reconfortante para ela, e espero que possa então trazer conforto para seus amigos e familiares.

A dor do luto é grande, mas sabemos que ela está melhor. Ela, que nos deixou como seu legado, o seu sorriso, força e fé. Agradeço eternamente por ter tido oportunidade de conviver com uma pessoa tão maravilhosa por tantos anos.

Você viverá para sempre em nossos corações, morena. Agora descansa em paz.


Beatriz Schiavinatto
21-06-1992 / 13-06-2013

terça-feira, 18 de junho de 2013

Sobre o despertar do gigante

A revolução está na moda.
Virou febre na internet como qualquer meme ou refrão idiota. Mas também parece que tem muita gente acreditando de verdade na causa e saindo pra rua. No Brasil, tudo tem fama de virar baderna, então se vai protestar, pelo menos saiba pelo que está lutando, não porque acha bonito ser mais um na multidão. Não é por 20 centavos a mais na passagem do ônibus e disso todo mundo já deveria saber. É pela falta de um transporte público decente ou pelo menos funcional. O protesto começou em São Paulo e tomou nível nacional, pra não dizer mundial, porque já estão todos cansados da falta de segurança, saúde e educação no Brasil inteiro.

"Panis et circus", a política do pão e circo, modo do governo romano antigo amenizar a insatisfação popular, é um tanto ultrapassada para um país que quer destaque mundial, não? Nada mais é do que construir grandiosos estádios e dar a população uma migalha chamada carinhosamente de "Bolsa Família". E agora que dizem que o gigante despertou, já chega de lutar por migalhas enquanto as tarifas só sobem, os impostos são abusivos e os governantes roubam descaradamente.

É claro que eu sou a favor de se fazer revolução, desde que o povo todo se conscientize também de que a verdadeira revolução é na hora de dar seu voto nas eleições. Não adianta sair pra rua fazer barulho se não for pra eleger governantes dignos de estar a frente da população e assim defender seus reais interesses. Reclamar é fácil, qualquer um reclama. Eu quero ver esse país mudar, eu quero ver soluções, eu quero ver mesmo é o povo todo fazer acontecer.


segunda-feira, 3 de junho de 2013

Sobriedades

Estou com uma coisa entalada aqui na garganta que já faz um tempo e eu não consigo desenroscar. É sobre eu, você, nós, nossas falhas, remendos, nossos planos, distâncias e nossos reencontros. É sobre seu número ainda estar no topo de minha lista de favoritos. E sobre o modo como somente sua voz me acalma. Sobre você ter o direito exclusivo sobre meu sorriso mais espontâneo e sincero. E sobre o seu sorriso ser a única razão pela qual eu me consideraria feliz de verdade. Sobre como eu ainda continuo confusa sobre o mundo e sobre a vida e suas ideias e ideais ainda iluminam o meu entendimento. Sobre como somos tão diferentes na maneira de pensar e de sentir, e ainda assim como nossas mãos e abraços se encaixam tão perfeitamente. Sobre como eu covardemente fugi pra tentar esquecer e sobre como isso ironicamente acabou me aproximando ainda mais de você. Sobre como eu acreditei tão fielmente na mentira que eu mesma inventei pra me convencer que eu fico mesmo melhor sem você. É sobre o modo que só a sua lembrança é capaz de me fazer rir e chorar ao mesmo tempo. É sobre eu ainda não ter a mínima noção do que eu sou, mas ter a certeza absoluta de que eu sou melhor quando você está por perto...


quinta-feira, 9 de maio de 2013

Focus

Há batalhas que precisamos vencer sozinhos, em silêncio e com muita paciência. Existem coisas que só o tempo pode nos ajudar a curar. Existem medos tão devastadores e cruéis, que não há mãos que possam te guiar e te ajudar a superar. Mas é preciso enfrentar. É preciso ter coragem, pois não há paz que se alcance sem que se vença os obstáculos. Não há serenidade antes que se conheça de perto a eloquência, e a supere. Porque medos não são racionais. Medos são brincadeiras da nossa própria mente para nos mostrar o quanto somos vulneráveis e imperfeitos. É só uma brincadeira. Até que a gente encontre a força que tem e jogue de volta. Dane-se a imperfeição. A imperfeição nada mais é do que a coisa mais perfeita que chegaremos a conhecer. Nós somos perfeitos, somos inteiros, com nossas falhas e nossas virtudes. Afinal, qual seria a graça de ser perfeito? Qual a vantagem de ser inatingível? Por isso não tenho mais medo. Por isso sou livre.

Foco, que o nosso caminho é a gente mesmo quem faz.


(foto: Marília de Azevedo, Praia da Barra - Florianópolis/ SC)

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Juventude que adoece

Ninguém está te pedindo para estar disponível a todo momento. Ninguém está te pedindo nada alias, além de desejar você esteja bem, seja como for, mesmo quando estar bem parece tão impossível nesse momento. Ninguém está passando pelo que você está passando, então não espere que todos te entendam. Mas você também não conhece a dor alheia, e mesmo que sua dor seja tão intensa e imensa, isso não te dá o direito de julgar as atitudes alheias.
A vida não é um mar de rosas. Ela é delicada e cheia de espinhos, isso sim. Está difícil para você, está difícil para mim, está difícil para todo o mundo ao seu redor. E se você não percebe o tanto de amor que todos te enviam, você também não tem ideia das vezes em que eu chorei baixinho e pedi para estar no seu lugar. A vida não é justa, ninguém nunca disse que era. Você não precisa estar disponível o tempo todo, mas não espere que todos estejam atrás de você todo o tempo também. Porque quem te ama corre do teu lado, mesmo que seja a distância. Quem te ama também está sofrendo com as suas dores. Você já parou para pensar na dor deles? O mundo não gira ao redor de alguém. E a vida continua, com suas dores e alegrias. Com pessoas que chegam e pessoas que partem, pessoas insubstituíveis e imperfeitas. Com suas dores, medos e superações. Somos todos campeões fracassados, vitoriosos em nossas pequenas lutas cotidianas. Somos todos iguais. Aprenda a aceitar, antes de querer que todos entendam. Porque seja como for, você também não entende minha dor, nem meu amor.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Rima urbana

Corações se partem e se repartem na velocidade em que o metrô passa. São tantos sons e tantas vidas que perdemos a conta. Perdemos o rumo, perdemos a fé. Onde mora o amor? Onde se conserta um coração? Vivemos remendados, aos trapos e sorrisos falsos. Vivemos de aparência, nessa cova rasa onde nos enterramos vivos, nossos sentimentos, nossos batimentos, nossa alegria e nossa motivação. Vivemos para concertar os erros, para lamentar o passado, para ignorar nosso futuro e nosso presente, sem estar de mente presente. A vida é um presente que insistimos em desperdiçar. Entre tantas idas e vindas, tantos lamentos e descontentamentos desatentos. 
Vivemos de nos alienar. Pra quê? Pra parar de sonhar, de sangrar,  de amar. Aonde ainda resta disposição para lutar? Acorda, que a vida tem sempre mais um sonho pra gente sonhar, mais uma luta pra poder realizar. Mais um amor pra gente compartilhar. Uma página a mais pra gente virar.


sábado, 13 de abril de 2013

Ouro de tolo



Certa vez um amigo me disse que a vida não é sobre encontrar-se, mas sim sobre criar a si mesmo. Bom, eu estou fazendo o meu melhor desde então. Faz mais sentido na verdade, sabe, em vez de ficar se procurando loucamente por aí. Fiz muito disso. E o engraçado é que eu conquistei tudo aquilo que pelo que procurei, e batalhei por isso, é claro. Mas ao contrário do que esperava, o sentimento de descontentamento continuava crescendo dentro de mim.

Assim como aquela criança que nunca termina aquilo que começa, eu experimentei todas as atividades possíveis e imagináveis para ver se me encontrava em alguma matéria, dança ou instrumento. Posso me gabar de ter acumulado muita experiencia com todo tipo de gente, mas não de me encontrar em nada daquilo. Sobra uma pilha de instrumentos e cadernos empoeirados, e essa busca incessante por sabe-se lá o que.

Quer saber? Não importa.

Bem mais do que tudo aquilo que já conquistei nessa busca, o que importa mesmo é por onde andei, com quem estive, o que aprendi e o que transmiti. E se não posso me encontrar, faço de mim aquilo que acredito que de melhor eu posso ser. Por isso sou. Por isso deixo de ser. Porque a vida não pára. Tolice é viver em estagnação.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Juventude

A beleza de ser jovem é poder sonhar, tendo a certeza ilusória de que há muito tempo pela frente para poder batalhar nossas próprias batalhas. Não temos. Ninguém sabe do amanha, ninguém pode contar com o incerto. Sendo assim, incerta me fiz. Incerta de planos e promessas, incerta de dogmas e ideologias. Dizem que só é feliz quem se dedica a uma causa, então que eu seja pela minha própria causa. Eu não sigo a fé de ninguém. Nem tão pouco vou me espelhar nos erros e acertos de alguém.

A beleza de ser jovem está em poder fazer suas escolhas, cometer seus enganos, aprender com seus erros, descobrir seus próprios princípios e, acima de tudo, correr atrás de seus sonhos, com a energia que jamais encontrará na velhice para tanto, apesar do que dizem sobre nunca ser tarde. E nunca é tarde, nem nunca é cedo demais pra quem já sabe o que quer. E pra quem não sabe, sempre há caminhos para se desbravar até que finalmente se encontre. O importante, é não ficar parado. Porque não temos todo esse valioso tempo para desperdiçar com dúvidas e medos. Incertezas, todo mundo tem. Faça das suas opções para abrir caminhos, ao envés de estagnação.


Hoje aqui no meu pequeno frasco há mais de 4000 visualizações!
É a força que me faz seguir em frente com meus sonhos que por tanto tempo guardei esquecidos nos cadernos velhos em gavetas. E hoje estão aqui, em página aberta pra poder compartilhar com o mundo a imensidão que é aqui dentro. Muito obrigado mesmo a todos que me acompanham e me incentivam a continuar e buscar sempre novos sonhos! Desejo o mesmo a todos vocês.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Prece

Ouvi dizer que só era triste quem queria...

Não tem nada de errado com a minha vida, pelo contrario. Mas falta muito ainda pra atingir aquela paz. Falta ver seu sorriso sem nenhuma dor. Falta eu parar de questionar e me torturar tanto com coisas que eu não posso resolver. E também falta parar de sentir tanta falta daquilo que não pode estar comigo nesse momento. Ainda que eu esteja contigo a todo momento, em pensamento. Ainda que meus braços estejam abertos pra te receber a qualquer momento em meu abraço, meu colo, meu ombro, meu sorriso mais sincero está guardado pra você.

Há um pouco de você em tudo que eu faço, em tudo que eu escrevo, penso ou sonho. Escute o meu silêncio, porque ele também pede por você. Pede pela cura e pela paz, corpo, alma, coração e mente.



Essa é por você. Por mim também. Por todos nós. Para a cura dos males e das tristezas, amém.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Desejo

O que eu tanto quero?
Eu quero um chocolate e um amor.
E também um vinho no final da tarde.
Eu quero dias ensolarados e ouvir o som do mar.
Eu quero dias chuvosos e preguiçosos e um abraço no qual eu possa me refugiar.

Eu só não quero promessas nem muitos planos, além dos de acampar perto daquela cachoeira no próximo final de semana. Eu faço as malas e você prepara o carro e o nosso caminho. Eu só não quero ter que chorar pela sua ausência e nem ter que te esperar demais. Eu não quero te pedir muito e nem te cobrar nada, porque é muito raro esse valor que juntos, mesmo sem ter nada, a gente tem.

Eu só não quero ter que ficar tentando te explicar o que nem eu mesma consigo entender direito...


segunda-feira, 18 de março de 2013

Efemerismo

Quantos botões de rosa ainda vou ter em minhas mãos e vê-los murchar, porque na vida tudo tem um começo, meio e fim, tudo segue perene seu curso com curvas e obstáculos, mas segue, e um dia se acaba.
Então quanto tempo ainda vou perder sem poder aproveitar do seu perfume e da sua luz que ilumina meus dias e meus sonhos, sempre em frente, com ou sem você, com suas cores ou apenas tons de cinzas chatos e sem graça.
Eu não quero a paz.
Eu quero você e todo caos que vem contigo.
Eu quero seus braços e seus abraços, quero seus olhos e seu olhar, quero sua boca e seu sorriso. Quero não ter mais que ignorar o que quero mesmo, que são suas mãos nas minhas agora, nesse momento para poder aproveitar o tempo que ainda resta, em vez de escrever e rasgar poesias, antes que que tudo acabe, antes que seja tarde.

quarta-feira, 6 de março de 2013

só o que é bom dura tempo o bastante pra se tornar inesquecível

Irônico como o céu hoje amanheceu azul.
Já anunciando que alguém havia subido para pinta-lo dessa cor.
Senti meu coração se partindo em mil pedacinhos quando confirmei a veracidade da noticia.
Ele que pintava nosso céu de azul celeste com suas melodias.
Eu, que já nasci órfã dos meus ídolos.
Porra, Chorão, como você foi dar dessa, cara?
Como que você foi abandonar a gente?
Suas músicas e letras que não me saem da cabeça, todas embaralhadas...
"A vida me ensinou a nunca desistir, nem ganhar, nem perder, mas procurar evoluir..."
"Vamos viver nossos sonhos, temos tão pouco tempo..."
"Segurei minhas lágrimas, pois não queria demonstrar a emoção..."
"Deixa eu te mostrar que a vida pode ser melhor mesmo sendo tão louca..."
...
É, você que não era senhor do tempo, com seus vícios e virtudes foi verificar se era mesmo azul a cor da parede da casa de deus né cara?
E nossa terra perdeu mais uma estrela. O grande poeta de toda uma geração. Ou várias. Teu legado continua aqui, tá estampado na cara de um país inteiro que você tocou com suas músicas, sua energia, seu jeito. Brilha pela gente, cara, onde quer que você esteja. Brilha aqui dentro, pra sempre.

LUTO - Alexandre Magno Abrão, Chorão.


segunda-feira, 4 de março de 2013

Apertem os cintos

Estou passando por uma fase dificil. Turbulenta.
Mas não pense que eu desisti dos meus sonhos, só não encontrei ainda a estabilidade necessária para segui-los. Momentos assim não são raros e costumam ser seguidos por grandes e necessárias mudanças. É o problema de quem ousa sonhar alto, mas precisa manter a pés do chão. E ter a cabeça e o coração no lugar. E esse é exatamente o meu problema. Não tenho ideia de que lugar é esse de cada um. Eu vou tropeçando nesse meu coração gigante que exige muito enquanto tento manter a sanidade e encontrar a paz. Eu tenho um espírito livre e desbravador e um coração mole. Eu tenho sonhos que se contra-dizem e uma fé esperançosa nesse tal de destino, tempo, ou seja lá o que for, que faz as coisas encontrarem seu lugar. Eu tenho medo do incerto e curiosidade pelo desconhecido. E a vida não tem sido fácil para alguém tão cheio de contradições. Mas uma hora ou outra essa turbulência vai passar. Uma hora ou outra, esse avião vai ter que estabilizar. Não é tão ruim quanto parece e nem chega perto de ser tão ruim quanto poderia ser.
Sempre invejei pessoas que levam a vida numa boa, sem muito questionamento ou essas grandes batalhas internas. E este é o segredo da sobrevivência, segundo o Senhor das Armas, "nunca faça guerra, principalmente contra você mesmo".

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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Se é amor

A vida tem um jeito engraçado de nos ensinar as coisas.

Sempre fui daquele tipo que iria até o fim do mundo pra saber se era amor. Pra acabar sempre exausta e sem respostas.
Mas ele não me permitiria isso, então agora sei que é. Sei porque não precisa ser dito nem provado. Sei porque é leve, porque é livre. Sem os pesos e as cobranças, sem a obrigação que tanto sufoca. Os caminhos nem sempre são fáceis, e o tempo e a distância nem sempre estão de acordo. Mas sabe esse sorriso? Foi ele que me deu. E isso eu sei que não há tempo nem contratempo que pode tomar de volta.

Eu não aprendi o que é o amor. Mas que há coisas na vida que não precisam de definição, basta que sejam vividas.


terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Poeteiro diria

Eu que não sou Zeca Baleiro, andava triste, tristinho... Mais solitário que um paulistano. Nessas cidades onde as luzes da rua oferecem um conforto sufocante aos pobres que não conseguem mais enchergar a poesia que vem das luzes do céu, e o amor se perde em cada esquina e em cada bar. Eu tentei ser legal, tentei ser social, dancei as danças da moda no carnaval. Mas não há consolo nem de noite nem de dia para os romanticos de plantão. Eu me sentei na sarjeta de madrugada, fugindo do bloco, do som alto e toda essa tal diversão, e tentei encontrar o céu. Era um céu estrelado e reconfortante. E por mais solitário que isso fosse, era melhor que qualquer balada da moda. Era ter não sei se a esperança ou a certeza de que em qualquer outro canto distante, outro alguém também estaria olhando para o mesmo céu.
Mas dai ele voltou e hoje tudo são passarinhos amarelos e flores roxas. E até o ar poluido que eu respiro passou a fazer mais sentido. E não há solidão no mundo que seja suficiente, enquanto mesmo no seu silencio, ele continua presente. E ainda que hajam as despedidas que nos afastam, sempre haverão tempos de sentir e de matar as saudades.
Porque o mundo nunca pára, seja no bater dos corações, ou na correria das cidades.


terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Bom dia!

Hoje quando acordei as maritacas estavam gritando. Isso estranhamente me deu um animo renovado para começar o dia. Elas só cantam quando faz sol. E depois de dias sufocada pelo céu cinza, lá estava o sol, tímido por entre as nuvens que iam se desolvendo na manha. Bota o café pra dentro e vai, que a vida não espera. Há trabalhos pra fazer, gente nova pra conhecer, amores novos pra viver. E quem é que sabe o que te espera da porta para fora? É a beleza assustadora do incerto. Notícias boas e ruins vem e vão. O dia se tornará noite e dia de novo. O novo se tornará velho e tudo do jeito que você conhece, cedo ou tarde mudará. Então conforme-se e se atualize, não deixe nada para depois, não deixe nada passar sem que se possa aproveitar.


Minhas condolências aos parentes e amigos das vítimas da trágedia em Santa Maria - RS, que deixou o Brasil inteiro de luto.
E a todos os jovens, que assim como eu, já arriscaram suas vidas em locais como a boate Kiss sem nem se dar conta. Por isso se sentem tristes, com medo e ao mesmo tempo gratos, atônitos diante de tamanha tragédia. E a todas as mães que não dormem enquanto os filhos não chegam da rua, pois tem medo que uma coisa absurda dessas aconteça.
Aproveitem enquanto são jovens. Aproveitem enquanto são adultos, velhos e crianças. Porque um dia, de uma forma ou de outra, tudo acaba. Não evitem o amor. Não fujam de suas responsabilidades. Acreditem na vida, pois ela continua. Mesmo que se perca alguém que se ama. Mesmo que não haja tempo para despedidas, pois não haverá. Evitem o remorso de não ter se doado o tanto que podiam.


quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Sorte ou revés

Às vezes a gente precisa botar a cara pra bater e enfrentar o que vier. Fazer planos é necessário, claro, mas a vida é cheia de suas surpresinhas. Você planeja tirar um tempo para estudar e aí aparece uma oportunidade irrecusável de trabalho.
Você decide que não vai se envolver com ninguém e aparece um novo amor do nada pra deixar sua vida toda de pernas pro ar.
Você planeja aquela viagem pro feriado e acorda com uma gripe que te deixa de cama. Você ia ao cinema, mas o pneu do carro furou. A bateria do celular acabou quando você planejava fazer aquela ligação importante. O botão da sua camisa preferida caiu quando você já estava saindo para um compromisso importante.
Parece que a vida está te olhando e rindo enquanto você fica tropeçando nesses imprevistos pelo caminho.
Dá uma vontade de se esconder, se enfiar numa linda casa de campo com janela para o canteiro de flores e vaquinhas pastoreando ao longe. Dá vontade de jogar tudo pro alto e ir vender jurupinga na praia e passar o final da tarde catando conchinha pra fazer colar enquanto vê aquele lindo por do sol.
Mas essa selva de pedra não para enquanto você fica tendo esse surto hippie pós moderno.
Você tem que acordar cedo e bater o ponto, seu time ganhe ou perca a final do campeonato. Mesmo que seu cachorro morra, seu noivo te dê o fora, seu chuveiro queime. Amanha você tem que levantar e continuar tocando seus planos falhos.
Por isso hoje eu estou aqui, botando a cara no blog como não é meu costume.
Pra falar que eu ando correndo muito, mas que não deixei meus sonhos e planos de lado. Não posso dizer que a vida vai melhorar, mas eu estou fazendo dela o melhor a cada instante.

Bota na conta da fé, e vai!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

NO fairy tales


Não é um conto de fadas.
Muito menos uma comédia romântica. Porque não é um livro ou um filme, é vida real.
Então não espere que ele vá voltar com um buquê das suas flores favoritas, dizendo que sentiu sua falta e nunca mais quer ficar longe de você.
Não espere ele tocar sua campainha em um dia chuvoso te pedindo perdão.
Se você quer, vai atrás.
Escreva sua própria história, mas perceba a hora de parar, ou você acaba sendo uma pobre coitada repetitiva, medingando um pouco de compaixão para uma doente de amor.
Mas mulher tem mesmo essa mania de ir até o fim, esgotar todas as possibilidades.
Depois você toma um porre e come uma caixa de bombons (que não foi ele que te deu), enquanto assiste mais uma vez um desses filmes idiotas que nos fazem idealizar mil encontros perfeitos.
Tudo na vida da gente nos leva a crer que a pessoa certa chegará e acabará com todo seu sofrimento.
Todas as histórias que nos contam antes de dormir, e também os livros e filmes adolescentes.
Mas gata, não se deixe enganar por qualquer príncipe de meia tigela.
Pode doer agora, mas o tempo vai passar e você vai superar.
E se um dia for pra valer, pode ter certeza que ele vai voltar, que ele vai ficar, vai te fazer feliz. Mas não espere, nem procure.
Cuide de ser feliz você mesma. Ser feliz muitas vezes só depende de se conformar, aceitar o que a vida te oferece em cada momento, e saber aproveitar.
E na hora certa, se tiver que ser, ele chegará.
Não para resolver seus problemas, nem pra te completar ou te preencher. Mas para somar sua vida toda a dele.
Então sabe esse vazio aí?
Preencha com amor próprio. Porque esse sim é único capaz de mudar o mundo, o seu mundo.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Gomenasai

Me desculpe.
Talvez seja uma péssima maneira de começar qualquer discurso (principalmente se tratando do primeiro do ano), ou talvez não. De qualquer maneira, vou continuar com a segunda opção.
Me desculpe o meu silêncio. Mas também me perdoe pelas vezes que falei demais.
Já pensou que talvez essa seja a grande questão da vida? O equilíbrio.
Não é amor. É não amar demais, nem de menos.
Não é a fé, mas não se dedicar somente a ela e ficar inerte esperando por milagres inexplicáveis. Mas também não esquece-la no fundo da gaveta, junto com aqueles livros esotéricos empoeirados.
Engraçado, sempre pensei que fosse o amor.
Mas pensando bem, tem mais a ver com essa linha tênue que separa amor e amizade. O que você quer pra uma noite e o que quer pra vida inteira. Se entregar sem se anular. Equilibrar-se nessa eterna corda bamba chamada de vida.


Mas como conhecer o limite se não ultrapassa-lo?
Como saber a hora de parar?

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