sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Sexta-feira

É sexta-feira.
Ponha o despertador na soneca por mais 10 minutos. Ou não ponha e vá logo fazer uma saudação ao Sol. Vá ler o jornal, correr um quarteirão, coma um pedaço de bolo de chocolate ou seja lá o que deixa mais feliz e acordado em uma manhã. Ponha açúcar no seu café, ou não ponha, se você como eu prefere ele amargo. A mensagem aqui é: faça o que tem mais vontade. Se permita sair um pouco da rotina, dance com seu cachorro, aumente o volume do rádio do carro, cante sua música preferida.
Deixa sua tristeza no ontem, ou postergue ela até amanhã. Hoje se permita ter um dia feliz, ignore os contras e receba os prós. A vida é tão curta e tão imensa pra ser vivida de acordo com o que esperam ou não esperam de você. A vida é tão louca e tão incerta, porque você seria o contrario? Hoje, aceite as tuas loucuras e as tuas incertezas. Aceite que você não precisa saber o que quer o tempo todo. Não precisa viver de acordo com as regras que te impuseram o tempo todo. Você não precisa nem mesmo ser feliz o tempo todo, tudo que eu te peço é que hoje você se permita, faça alguém feliz, seja feliz. 
Hoje é sexta-feira. E hoje é tudo que importa.

Foto: Matheus Lessa, São Paulo, 2015.
Texto dedicado à felicidade de minha amiga e parceira Tayla Sanchez, do Idealiizar, que acordou de um sonho muito ruim essa semana. Eu te amo. E hoje estou muito grata pela sua recuperação, espero que logo esteja pronta para voltar a realizar seus sonhos que são tão iguais aos meus. Você é uma guerreira maravilhosa.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Delírios secretos de uma suicida

Este texto é um devaneio pessoal tocado pela campanha "Setembro Amarelo" de conscientização sobre a prevenção do suicídio, você pode saber mais sobre a campanha aqui: http://www.setembroamarelo.org.br/

O título é uma idéia que me ocorreu de escrever sobre, durante uma crise, e eu tenho escrito desde então, há cinco anos, mas nunca criei coragem para publicar nada, até conhecer a campanha.

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Por muito tempo, estive me perguntando quando foi que começou e o que pode ter causado isso. No fundo, eu acho que sempre soube.

Sempre soube que eu era diferente. Que tinha algo estranho ou errado comigo. Sempre, por mais que eu mexa e remexa e volte às lembranças mais antigas que tenho, eu sempre tive essa sensação. Como se uma nuvem pesada e cinza, pronta para despencar em uma tempestade a qualquer momento, encobrisse minha visão. E foram muitas tempestades. Mas mesmo nos momentos de calmaria, a nuvem sempre esteve lá. E eu não tenho uma só lembrança de minha infância ou adolescência que não esteja obstruída por essa nuvem. Nenhum pensamento, sentimento ou relacionamento.

Quando penso em tudo isso, hoje o que eu me pergunto é como é que eu cheguei até aqui. Como não me rendi a essas forças que puxam para baixo e mais baixo se eu nem mesmo, nunca, entendi o sentido de continuar lutando. Se a morte sempre me pareceu tão reconfortante, segura e inevitável, enquanto a viver é tão caótico, incerto e doloroso. Eu queria muito achar um motivo que me prendesse a vida, para que fosse mais fácil lutar por ela, diariamente. Eu continuo aguentando por meus pais. Por pessoas que sofreriam se eu me rendesse. Por mim? Eu não sei.

E eu não sei é uma grande coisa. Há pouco tempo eu teria dito não, sem titubear. Há pouco tempo eu não falava sobre. Ainda é difícil. Mas eu preciso.

Eu preciso dizer que esse é o terceiro texto que eu tento escrever sobre desde o começo deste mês, porque os outros dois se tornaram dolorosos demais para serem terminados.

Preciso dizer o quão contente eu me senti quando descobri a campanha do "Setembro amarelo", porque coisas que nos lembram que não estamos sozinhos nunca são demais.

Preciso dizer coisas que eu ainda não estou pronta para compartilhar, mesmo assim é muito bom saber que eu posso dizer. E que posso lutar para quebrar cada vez mais esse tabu, da mesma forma que lutei para quebra-lo dentro de mim. Porque acredite, a coisa toda fica um pouco mais fácil de lidar quando admitimos para nós mesmos e perdemos o medo dos julgamentos. Porque vão julgar. E vai doer. Mas admitir nossas limitações não nos torna mais fracos, pelo contrário.

É preciso ter coragem para enfrentar seus próprios monstros.