quinta-feira, 10 de abril de 2014

Presente

Hoje eu não coloquei sutiã para sair de casa. Nem me importei em verificar se minhas pernas estavam perfeitamente depiladas. As unhas eu já não pinto a pelo menos uma semana. Nem sequer parei para pensar em disfarçar qualquer defeito. Hoje, quando o sol invadiu a minha janela, eu não me preocupei com amores passados e nem com futuros. Não esperei que ninguém me ligasse pra dizer que sente saudade. Hoje, quando acordei, eu me lembrei que tenho tudo que me convém ter e que tudo que me tem, eu tenho também. Hoje eu vivi apenas por hoje. Hoje eu dei licença pro tempo passar como bem entendesse. Hoje eu me senti livre, e por isso me libertei. Hoje eu não pedi permissão nenhuma para ser feliz, eu simplesmente fui lá e fiz.

Namastê _/\_

domingo, 6 de abril de 2014

To the moon

Hoje em dia não vivo mais com a cabeça na lua e em seus dragões. Eu olho por onde ando e vejo bem com quem me envolvo. Hoje eu sei que se cheguei até aqui, posso ir muito mais longe.
Só não o quão mais longe eu quero ir. Sem me distrair, me falha o sonho, e me falta o sono. Ainda desejo saber qual a graça de viver sem graça. Se ao menos eu não fosse tão frágil e tão intensa, tão incerta e propença a destruir cuidadosamente toda farsa que eu invente...
O corpo não acompanha a alma. Eu nunca tenho calma, e sempre me atropelo no meio do caminho. E se eu tropeço e caio, metaforicamente ou não, eu sempre machuco bem mais do que o necessário. Pequena demais pra fazer tanto estrago, é o que dizem.
E entre o chão e o céu eu realmente não sei o que existe. Porque se me concentro no chão duro em que piso, é aí que eu me perco de mim.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Perecível

Certa vez me disseram que tudo que acontece, acontece da única maneira possível para nossa evolução. Aceitei isso como verdade plena e, de certa forma,  reconfortante. Tive que aceitar. Que outra justificativa para tanta barbaridade e sofrimento que há nesse mundo?
Somos seres mutantes e mutáveis, somos efêmeros, perecíveis e errantes.
Erramos ao acreditar, ou simplesmente esquecer por algum instante do contrario, que somos eternos e plenos, que temos o controle ou o domínio sobre o que quer seja, ou quem seja.
Somos únicos. Criamos e desfazemos laços, damos um nó vez ou outra e até remendamos pedaços soltos, mas continuamos a ser únicos e ímpares.
Feliz é aquele que aceita. Supera. Nem sempre é fácil, eu mesma vivo tendo que me lembrar dessas obviedades que tanta gente ainda nem se deu ao trabalho de enxergar. É mais fácil lamentar. É mais fácil praguejar e duvidar de sua fé. Mais fácil se entregar a dor e ignorar a naturalidade da vida.
Tudo que nasce, perece e morre. O que varia é o que se vive e o que se faz entre um momento e outro. Nem sempre será como queremos e com certeza isso te surpreenderá em algum momento. E como será então? Se tudo que você é e tudo que você ama cedo ou tarde vai acabar, nada te impede de fazer o melhor enquanto pode. Você pode?