Mas a cama está vazia demais. E minha cabeça, cheia demais.
Já se foram os bons tempos, quando ursinhos de pelúcia preenchiam todo o vazio e afastavam os monstros e os medos. Eu fui perdendo o medo do escuro quando descobri que os verdadeiros monstros estão dentro de cada pessoa. E eles ainda podiam abafar meu choro quando o tempo foi passando e tomando toda a fantasia que ainda restava. Pensando assim, preferia os monstros que moravam em baixo da minha cama. Eram mais fáceis de enfrentar.
Hoje eu tenho medo principalmente de perder as pessoas que eu gosto, de não fazer por merecer, de perder tempo, de ser afetada pela maldade alheia. Eu tenho medo de falar de amor. É que o amor é uma coisa tão bonita, e tem sido tão banalizada, que eu tenho medo de acabar sendo banal também. E ainda me acham revoltada quando eu digo que não existe amor. Existir, existe. Está escondido em uma carta perfumada no fundo da gaveta. Perdido entre as flores secas que marcavam os livros. Nos poemas piegas nas últimas folhas dos cadernos. No pensamento de quem sente, algo tão profundo e verdadeiro, que tem medo de expressar.
E os falsos amores estão por aí, em cada esquina, declarando amor eterno com a boca cheia de juras que nem pensam em cumprir.Com o que é verdadeiro, eu aprendi que não há palavra que expresse, nem promessa que valha, ver no sorriso do outro, nossa própria felicidade espelhada. Que não há tempo o suficiente para separar, ou para saciar a vontade de se estar junto. Nem há distância que afaste, porque o que é verdadeiro, está dentro. E não precisa ser declarado aos sete ventos pra provar sabe-se lá o que para quem não tem nada a ver com isso. E enfim posso dormir tranquila, porque os verdadeiros sabem quem são.
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Fico feliz que tenha bastante gente lendo e se identificando com as minhas histórinhas. Obrigado a todos que me incentivam a continuar escrevendo, porque escrever para mim é um sonho se realizando.

