segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Em tempos de guerra

Às vezes eu perco a fé. Eu perco o ânimo, perco o fôlego, perco o rumo e o chão.

É tanto desamor. É tanto descaso com a vida. Tanta mesquinharia supervalorizada. Inverteram os valores, inventaram as verdades, mascararam as mentiras, aboliram o respeito. Às vezes, seu desejo que o mundo pare para eu poder descer. E o que é que eu faria se tivesse todo o tempo do mundo para mim? Meu tempo nem é mais meu. Meus sonhos e minhas verdades constantemente ridicularizadas perante a barbárie e o caos em que o mundo se encontra. Ninguém está olhando para dentro.

Muitos até olham os efeitos, mas não enxergam as causas. Muitos procuram a cura para suas dores, mas não compreendem as dores da alma. As dores do mundo. O mundo todo está doente e ninguém vê. Onde estão as ideias revolucionárias? Onde estão os ventos da mudança?

Eu sopro baixinho, e nem sei a força que tenho. Eu não sou nada. Eu sou só um alguém querendo fazer qualquer coisa de bom. Não sou defensora de ninguém. Não sou dona da verdade.

Eu só desejo que haja paz. Que haja tempo. E que se tenha feito todo o necessário caso não haja. Só existe o agora. Ainda que o agora seja dor, seja desamor. Sei, porém, que nem tudo é ausência. E creio que ainda haja esperança para nós, reles mortais. Afinal, quanto vale uma vida humana? Tenho certeza de que vale mais do que qualquer motivo que leve alguém a tirá-la, ou feri-la, com tamanha brutalidade que se tem visto por aí.



Em memória de Denis Casagrande, brutalmente assassinado em uma festa de faculdade na madrugada desta sexta para sábado (21 de setembro de 2013), em Campinas/SP. Infelizmente mais um post de luto. Paz e solidariedade aos familiares e amigos mais próximos do dedé, que agora descansa em paz.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Aprendendo com a dor

Você já perdeu alguém?

Alguém que você amasse muito, alguém que partiu para não voltar mais, alguém que se foi deixando um vazio tão grande dentro de você que transborda, não cabe mais em si. Alguém já levou um pedaço de você consigo?

Não dá mensurar a dor alheia. Isso, eu aprendi com a minha própria dor.

Somos feitos de pedaços, pedaços que a gente doa e pedaços que a gente recebe de outras pessoas ao longo da vida. Ninguém é inteiro sozinho, nem incompleto sem alguém.

Tenho aprendido muito ultimamente. Não só com a dor. Nem tudo é dor. Mas a dor ensina lições que não dá pra aprender em cartilha. Teoria é teoria. Mas você precisa de algumas cicatrizes que te lembrem que o fogo queima se você chegar perto demais, ou a tomar cuidado com objetos afiados, ou olhar por onde anda pra não cair de cara no chão.

Para algumas pessoas, a vida é simples. Rasa. Morna. Essas pessoas conseguem caminhar sem grandes problemas, cair sem grandes estragos e se levantar sem tanta dificuldade. Essas pessoas nem sempre entendem os abismos que outros carregam dentro de si. Não é uma opção, mas sim uma condição.

Talvez seja apenas um azar que enquanto vamos juntando esses pedaços que ganhamos e doamos ao longo da vida, se tropece e se caia em um desses abismos. Pode ser fatal. A gente nunca está preparado para dor, por mais previsível que esta seja. Às vezes a gente sabe que ela virá. E ela vem, devastadora ainda assim.

Não dá pra fugir da dor.


Pelos 3 meses em que Beatriz Schiavinatto deixou esse plano.
E pela morte do baixista Champignon, que estejam enfim em paz.