quarta-feira, 25 de abril de 2018

Amor líquido

É sempre uma transição.

De um gostar para outro gostar. Me pego dando um sorrisinho bobo para mais alguém. Quando alguém parte o coração da gente e ele ainda continua batendo, é sinal que a gente deve seguir em frente, se abrir para outros olhares e outros risos, outras expectativas, outras inseguranças e medos, por que não? Gostar sempre terá seu lado bom e seu lado ruim. Eu me apego ao bom. Me apego justamente a esses risinhos bobos e as borboletas irritantes em minha barriga. Eu não espero nem correspondência, porque gostar de alguém já me faz um bem. E a gente bem sabe que não se escolhe o gostar de quem. Por isso, na maior parte do tempo, guardo para mim esse bem tão valioso. Porque quando a gente se abre, se arrisca, sempre tem muito a perder. E eu não quero perder nada. Nem posso perder o que não tenho. Pode parecer covardia, ou até egoismo, mas de tão castigada pelas palavras, aprendi a gostar em silêncio. A gostar para mim e pra mais ninguém.

Se me der um mínimo, te darei sempre meu máximo. Te farei feliz porque isso me fará feliz. Até o dia em que o mínimo será muito pouco, te darei meu olhar triste e cansado e te deixarei aos poucos,  sem que você nem perceba, ainda em silêncio, até o próximo gostar. Sei que algum dia alguém pode quebrar este ciclo vicioso de amores mal começados e mal acabados, ainda assim ficarei surpresa. Até lá, as decepções e as insuficiências me levarão até o próximo. Me farão mais forte e mais sozinha. Talvez até mais segura e completa, mas com certeza, mais silenciosa.


Foto de Manoel Almeida (@metsalmeida), Piracicaba, 2018