quarta-feira, 13 de abril de 2016

Pausa

Bate aquele tédio e aquela solidão que não deixa de ser boa.

Porque estar só é bom.

Ouvindo passarinhos cantar e pessoas conversar, na sombra de uma árvore em mais um dia ensolarado. Bate aquela brisa boa.

E eu penso em tudo de ruim que a vida poderia me oferecer agora, mas ela não oferece. Ela não oferece nada.

E o nada é bom.

E é entediante. Mas está tudo bem. Está tudo indo, fluindo, lentamente, como deve ser. Sem atropelos, sem desesperos. Tentando não deixar a ansiedade me sugar e me levar para longe, para aquele buraco tão fundo que só quem conhece pode entender.

E só quem já saiu pode dizer o quanto é bom respirar. Simplesmente respirar.

Que momento bom quando a gente apenas não se importa com o caos do mundo lá fora. Com o julgamento alheio. Com a maldade e a falta de percepção e de sensibilidade.

O mundo só é bom quando somos bons com nós mesmos.

Sábio é quem disse que aceitar-se é ser feliz. E eu sou feliz. 
E dane-se.

FCL/Ar - 13 de abril de 2016

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Achados e perdidos

Às vezes a gente se perde.

Tentando se encontrar. Tentando encontrar outra pessoa. Ser outra pessoa. Viver por outra pessoa. É sem querer, sabe. É querer tanto que se perde pelo que quer. Depois perde o que quer. Não sabe o que quer. Se perde.

Bom mesmo é quando a gente se encontra. Num sorriso, numa história, dentro de si, dentro de um abraço, onde quer que seja o seu lugar. E seu lugar está por aí. Às vezes, é preciso se perder para se encontrar.

Eu já me encontrei algumas tantas vezes por aí. Num corpo jovem, uma alma velha. É o que dá ser tão intensa. Viver cada dia como se fosse o último, como se fosse uma vida, porque é. Não cabem aqui as expectativas, os planos, os sonhos, é verdade. Somada experiência e a ansiedade, se aprende que não é bom levar em conta o incerto. O que não depende de você.

Então hoje, 8712 dias vividos até agora, eu faço meu próprio caminho. Ainda que eu perca, e eu me perco muito. Eu me distraio fácil. Mas eu me encontro.

Eu digo um monte de coisas para não dizer o que realmente tenho vontade de dizer. Se me perco nos caminhos, imagina nos discursos. Imagina dentro de mim. Imagina querendo me perder por aí. Querendo me perder em você.


terça-feira, 5 de abril de 2016

Vencer

É, já faz um tempo que não público nada aqui. Peço perdão, mais do que pra quem lê, para mim mesma. Perdão por não acreditar na minha capacidade, por achar que nunca está bom o suficiente, por não encontrar tempo para fazer o que me faz bem, por me esconder atrás de camadas e mais camadas de ilusão e me perder no cotidiano caos rotineiro. Perdão.

E eu tenho tanta coisa para falar, para compartilhar, para receber. Mas infelizmente, às vezes eu me esqueço de tudo isso, eu perco o rumo e o sentido. Eu deixo de acreditar em mim. Eu deixo de acreditar no mundo.

Minha caixa está cheia de rascunhos, e minha cabeça cheia de projetos que vem e vão, criam forma, crescem, ganham sentido e querem se concretizar, mas nunca chegam sequer ao papel.

Afinal, quantos sonhos desperdiçamos? Quanto tempo perdemos nos perdendo? Eu não sei as respostas. Se soubesse, estaria vivendo meus sonhos, não escrevendo sobre como os desperdiço.
O mundo é cruel e frustrante. Mais cruel e mais frustrante somos nós mesmos. Quando nos permitimos acreditar em nossa incapacidade de fazer algo. Nós podemos ser grandes e fazer grandes coisas, sei disso. Queria ter o poder transformar toda essa possibilidade em realidade. E quem mais pode, além de mim mesma?

Apesar de todos os obstáculos, descrenças, desmotivações, apesar de todo mal aqui dentro e lá fora, eu quero ser aquela pessoa que vence. Que luta, dia após dia, e não se rende.

Não é fácil, acredite. Se já não é fácil assumir para mim mesma minhas limitações e dificuldades, imagina superá-las. Imagina transparecer para o mundo tudo aquilo que me puxa para baixo e mais fundo. Tudo aquilo que eu sinto e não gostaria de sentir.

Mas sabe, eu preciso. Preciso superar, preciso ir em frente, apesar de toda a insegurança, o medo, a instabilidade, a rejeição. Nessa eterna batalha por autoconhecimento e um mínimo de sanidade, porque viver talvez seja sobre isso, afinal. Sobre o que mais seria?

Eu queria realmente que viver fosse fácil, fosse leve e prático. Para algumas pessoas parece ser. Mas eu não posso querer o que eu não posso ter, isso eu aprendi, então o jeito é viver com o que eu tenho. E o que eu tenho é isso. É o caos, a instabilidade, a insegurança, o medo, o recomeçar e recomeçar de novo. Quantas vidas eu tenho, já nem sei, eu já perdi as contas. Conto comigo e ninguém mais, e vivo do jeito que posso, que consigo, que vivo. Eu vivo. Eu venço.