É, já faz um tempo que não público nada aqui. Peço perdão, mais do que pra quem lê, para mim mesma. Perdão por não acreditar na minha capacidade, por achar que nunca está bom o suficiente, por não encontrar tempo para fazer o que me faz bem, por me esconder atrás de camadas e mais camadas de ilusão e me perder no cotidiano caos rotineiro. Perdão.
E eu tenho tanta coisa para falar, para compartilhar, para receber. Mas infelizmente, às vezes eu me esqueço de tudo isso, eu perco o rumo e o sentido. Eu deixo de acreditar em mim. Eu deixo de acreditar no mundo.
Minha caixa está cheia de rascunhos, e minha cabeça cheia de projetos que vem e vão, criam forma, crescem, ganham sentido e querem se concretizar, mas nunca chegam sequer ao papel.
Afinal, quantos sonhos desperdiçamos? Quanto tempo perdemos nos perdendo? Eu não sei as respostas. Se soubesse, estaria vivendo meus sonhos, não escrevendo sobre como os desperdiço.
O mundo é cruel e frustrante. Mais cruel e mais frustrante somos nós mesmos. Quando nos permitimos acreditar em nossa incapacidade de fazer algo. Nós podemos ser grandes e fazer grandes coisas, sei disso. Queria ter o poder transformar toda essa possibilidade em realidade. E quem mais pode, além de mim mesma?
Apesar de todos os obstáculos, descrenças, desmotivações, apesar de todo mal aqui dentro e lá fora, eu quero ser aquela pessoa que vence. Que luta, dia após dia, e não se rende.
Não é fácil, acredite. Se já não é fácil assumir para mim mesma minhas limitações e dificuldades, imagina superá-las. Imagina transparecer para o mundo tudo aquilo que me puxa para baixo e mais fundo. Tudo aquilo que eu sinto e não gostaria de sentir.
Mas sabe, eu preciso. Preciso superar, preciso ir em frente, apesar de toda a insegurança, o medo, a instabilidade, a rejeição. Nessa eterna batalha por autoconhecimento e um mínimo de sanidade, porque viver talvez seja sobre isso, afinal. Sobre o que mais seria?
Eu queria realmente que viver fosse fácil, fosse leve e prático. Para algumas pessoas parece ser. Mas eu não posso querer o que eu não posso ter, isso eu aprendi, então o jeito é viver com o que eu tenho. E o que eu tenho é isso. É o caos, a instabilidade, a insegurança, o medo, o recomeçar e recomeçar de novo. Quantas vidas eu tenho, já nem sei, eu já perdi as contas. Conto comigo e ninguém mais, e vivo do jeito que posso, que consigo, que vivo. Eu vivo. Eu venço.
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