segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Calendário

E não é que chegou o fim de outro ano? Apesar de tanta dor e tanta dúvida. Apesar de toda barbaridade e da fé testada a exaustão. Chegamos a essa época cheia de reflexões e esperanças. E ambas são como uma maldição para mim. A intensidade com que eu vivo ambas diariamente, ciclicamente, são um desgaste tremendo o ano todo. Então, convenhamos, finais de ano não tem nada de especial para mim. Essa coisa de fazer votos e promessas para o ano que virá só serve para agravar ainda mais as frustrações de cada dia. Este ano resolvi pegar leve. Resolvi focar no fato de que nadinha de nada mudará magicamente do dia 31 de dezembro para o dia 01 de janeiro. Isso é só uma data no calendário. Um dia mais velha. Um dia mais próxima do fatídico fim. Antes ter reflexões e resoluções conforme a vida vai acontecendo, sabe, entre um réveillon e outro. É só mais uma festa. Mais um motivo para se comemorar que se está vivo. Mas quando se manter vivo é tão difícil, todos os dias merecem comemoração. E eu comemoro. Não estou dizendo que não sou grata por mais um ano. Muito menos que não tenho mais o que refletir e aprender. Com certeza eu não sou a mesma pessoa que começou este ano. Este longo e interminável ano que aos trancos e barrancos, como sempre, me proporcionou tanto aprendizado e crescimento pessoal. Estou dizendo que a esperança pode ser nociva se não for acompanhada de uma dose ainda maior de ação. O mesmo vale para as reflexões e resoluções de ano novo. Não pense, não prometa, não espere. FAÇA.
Esse texto não é sobre votos para o ano novo. São votos para a vida que não merecem ser despejados da boca para fora. Não desejo um feliz ano novo, porque isso é muito vago. Aqui eu desejo paz, amor, compaixão, empatia, saúde e força de vontade para todos, porque é exatamente isso que eu quero. Não para o ano que está chegando, mas para sempre.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Re-fazer poesia

Às vezes, no caos do pensamento se descobre o silêncio.
Assim, como se todas as vozes
ao seu redor se calassem ao mesmo tempo.
E todo o universo fosse só você.
E todo o caos só era você.
E o silêncio é só você.
Você é a euforia.
E é a tragédia, o fracasso,
o cansaço, o descaso.
Só você.
Dentro si próprio.
Como se nada mais importasse
o suficiente para te atingir tão fundo.
Não se sentir oco e nem quebradiço.
Tão pouco pleno e completo.
Apenas sentir,
se não as dores e
as delícias de ser o que é,
sim a vontade de ser quem se é.
Deixar fluir.
Naturalmente.
A poesia que é a tua mente.
✌ 🖖

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Sexta-feira

É sexta-feira.
Ponha o despertador na soneca por mais 10 minutos. Ou não ponha e vá logo fazer uma saudação ao Sol. Vá ler o jornal, correr um quarteirão, coma um pedaço de bolo de chocolate ou seja lá o que deixa mais feliz e acordado em uma manhã. Ponha açúcar no seu café, ou não ponha, se você como eu prefere ele amargo. A mensagem aqui é: faça o que tem mais vontade. Se permita sair um pouco da rotina, dance com seu cachorro, aumente o volume do rádio do carro, cante sua música preferida.
Deixa sua tristeza no ontem, ou postergue ela até amanhã. Hoje se permita ter um dia feliz, ignore os contras e receba os prós. A vida é tão curta e tão imensa pra ser vivida de acordo com o que esperam ou não esperam de você. A vida é tão louca e tão incerta, porque você seria o contrario? Hoje, aceite as tuas loucuras e as tuas incertezas. Aceite que você não precisa saber o que quer o tempo todo. Não precisa viver de acordo com as regras que te impuseram o tempo todo. Você não precisa nem mesmo ser feliz o tempo todo, tudo que eu te peço é que hoje você se permita, faça alguém feliz, seja feliz. 
Hoje é sexta-feira. E hoje é tudo que importa.

Foto: Matheus Lessa, São Paulo, 2015.
Texto dedicado à felicidade de minha amiga e parceira Tayla Sanchez, do Idealiizar, que acordou de um sonho muito ruim essa semana. Eu te amo. E hoje estou muito grata pela sua recuperação, espero que logo esteja pronta para voltar a realizar seus sonhos que são tão iguais aos meus. Você é uma guerreira maravilhosa.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Delírios secretos de uma suicida

Este texto é um devaneio pessoal tocado pela campanha "Setembro Amarelo" de conscientização sobre a prevenção do suicídio, você pode saber mais sobre a campanha aqui: http://www.setembroamarelo.org.br/

O título é uma idéia que me ocorreu de escrever sobre, durante uma crise, e eu tenho escrito desde então, há cinco anos, mas nunca criei coragem para publicar nada, até conhecer a campanha.

___
Por muito tempo, estive me perguntando quando foi que começou e o que pode ter causado isso. No fundo, eu acho que sempre soube.

Sempre soube que eu era diferente. Que tinha algo estranho ou errado comigo. Sempre, por mais que eu mexa e remexa e volte às lembranças mais antigas que tenho, eu sempre tive essa sensação. Como se uma nuvem pesada e cinza, pronta para despencar em uma tempestade a qualquer momento, encobrisse minha visão. E foram muitas tempestades. Mas mesmo nos momentos de calmaria, a nuvem sempre esteve lá. E eu não tenho uma só lembrança de minha infância ou adolescência que não esteja obstruída por essa nuvem. Nenhum pensamento, sentimento ou relacionamento.

Quando penso em tudo isso, hoje o que eu me pergunto é como é que eu cheguei até aqui. Como não me rendi a essas forças que puxam para baixo e mais baixo se eu nem mesmo, nunca, entendi o sentido de continuar lutando. Se a morte sempre me pareceu tão reconfortante, segura e inevitável, enquanto a viver é tão caótico, incerto e doloroso. Eu queria muito achar um motivo que me prendesse a vida, para que fosse mais fácil lutar por ela, diariamente. Eu continuo aguentando por meus pais. Por pessoas que sofreriam se eu me rendesse. Por mim? Eu não sei.

E eu não sei é uma grande coisa. Há pouco tempo eu teria dito não, sem titubear. Há pouco tempo eu não falava sobre. Ainda é difícil. Mas eu preciso.

Eu preciso dizer que esse é o terceiro texto que eu tento escrever sobre desde o começo deste mês, porque os outros dois se tornaram dolorosos demais para serem terminados.

Preciso dizer o quão contente eu me senti quando descobri a campanha do "Setembro amarelo", porque coisas que nos lembram que não estamos sozinhos nunca são demais.

Preciso dizer coisas que eu ainda não estou pronta para compartilhar, mesmo assim é muito bom saber que eu posso dizer. E que posso lutar para quebrar cada vez mais esse tabu, da mesma forma que lutei para quebra-lo dentro de mim. Porque acredite, a coisa toda fica um pouco mais fácil de lidar quando admitimos para nós mesmos e perdemos o medo dos julgamentos. Porque vão julgar. E vai doer. Mas admitir nossas limitações não nos torna mais fracos, pelo contrário.

É preciso ter coragem para enfrentar seus próprios monstros.



sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Desgraça pouca é bobagem

Existe um ensinamento na yoga que diz algo como "tudo que acontece, acontece da única maneira possível de acontecer para nossa evolução". Acredito muito nisso. E, sinceramente, às vezes, sinto que é só isso que me motiva seguir a diante. Não sou boa em tomar decisões. Para ser mais exata, eu realmente odeio tomar decisões. Talvez seja por isso que eu penso tanto em tudo e ajo sempre sem pensar. Messo todas as consequências para no fim das contas agir completamente sem propósito algum. Então eu tento - ênfase no tento - deixar a vida me levar. Mais do que isso, aceito que tudo que acontece, acontece da única forma possível de acontecer para minha evolução. Se não eu já teria enlouquecido de vez. E olha, não é fácil. É cada uma que me aparece que mais parece duas. Não digo que eu sou um imã pra desgraça, acho que a vida mesmo é uma piada e o único azar que dei foi cair nela. E raramente isso tem graça. Mas a gente tem que rir mesmo assim, aceitar e bola pra frente. A próxima piada pode ser melhor, ou pior, e tudo depende de como você lida com isso. Não dá pra chorar pelo leite condensado derramado na geladeira. Tem que limpar a meleca e aproveitar o que sobrou. Se sobrou. Se não tudo bem. Leite condensado não é nada saudável mesmo. Sim, essa semana meu leite condensado sujou toda a geladeira. E e eu estou com uma alergia maldita que não faço ideia da onde vem. Pra completar travei a coluna e hoje acordei com dor de garganta. Ainda assim, estou me mantendo positiva - depois de medicada, óbvio, ninguém é positivo com a coluna travada, eu acho. Que dor horrível. Mas enfim, é sempre bom repetir e repetir que tudo que acontece, acontece da única forma possível de acontecer para nossa evolução. Porque desgraça pouca é bobagem, e a gente precisa de um refúgio. A gente precisa acreditar que tudo é bom pra alguma coisa. Que coisas melhores virão. E piores. Tudo é evolução. E tudo é passageiro.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

De tanto em tanto

Eu sinto muito.

Se não sei me expressar bem. Se não te fiz bem. Se eu não sei o que quero ou quem eu sou. Se me confundi ou se te confundi. Se eu falo demais. Se eu grito demais ou me calo demais. Se eu não tenho noção de nada, se não entendo o mecanismo dessa coisa de se relacionar socialmente, amorosamente, amigavelmente, familiarmente, eu sinto muito.

Eu realmente sinto muito, repito, porque eu realmente sinto demais. Isso me atrapalha, isso me corrói, sentir tanto acaba comigo. Ansiar tanto, pensar tanto. É tanto tanto que me excedo, e me esgoto. Eu vivo assim, extremamente cheia e insuportavelmente vazia. Eu vivo de excessos e isso cansa.

E ainda assim eu sinto muito. Muito. Eu sinto mesmo.

Praia das Toninhas - Ubatuba, SP - fevereiro de 2016

terça-feira, 12 de julho de 2016

Sobre tesouros perdidos, mudanças e não saber.

Eu precisava mudar sabe? Precisava de uma nova perspectiva para seguir em frente.

E mudar não é fácil. Eu precisei enfiar um monte de coisas no fundo falso de uma gaveta que eu não pretendia abrir tão cedo. Só para ser mais fácil. Alguns podem chamar isso de egoísmo. Mas é preciso coragem para ser egoísta a esse ponto também. Quando a dor das lembranças e das perdas se torna mais intransponível do que o medo de se jogar no novo, sem olhar para trás, não há muito o que se possa fazer. Afinal, às vezes precisamos ser egoístas. É isso que nos faz suportar. É o que nos faz sobreviver, não é?

Entre tanto desamor. Entre tanta dúvida. Entre tanta instabilidade, insegurança, projeções, expectativas, sonhos interrompidos. Planos desdenhados. O que nos impulsiona a seguir em frente então se não o puro egoísmo de mudar? O que implica, inevitavelmente, em deixar uma série de coisas para trás, querendo ou não.

E eu, especialista em me perder tentando desesperadoramente me encontrar, fui arrumar minha bagunça e acabei abrindo a gaveta onde escondi tantos tesouros queridos que deixei para trás nessa mudança. Que nostalgia. Quanta saudade, quanta dúvida, quantos "e se" haviam ali. E quanta surpresa ao perceber que nada daquilo me pertencia mais. É, não adianta guardar tesouros no fundo falso de uma gaveta enquanto se muda para outra vida, fica a lição. Mas eu precisava. Eu precisava me mudar por completo. E não havia tempo para calcular a falta que me cada coisa me faria a longo prazo, então deixei de fazer falta.

E o que eu vou fazer? Eu não sei. Talvez juntar novos tesouros, talvez reconquistar alguns perdidos, talvez perder tudo de novo e começar de novo e de novo. Eu não sei. E há beleza no não saber. Certos momentos, e esse é um deles, tudo que precisamos é não saber.

terça-feira, 28 de junho de 2016

Onde foi parar o meu CD dos Beatles?

Em um piscar de olhos não estava mais lá. Não só sumiu o CD, mas o carro, meu amado primeiro carro, onde eu o ouvia sem parar. Não estava mais lá a pessoa que me deu o CD, meu companheiro de aventuras e desventuras que ouviu comigo sem parar as mesmas músicas.

Quando dei por mim, os amigos já não eram os mesmos, assim o CD, o carro e o companheiro. E os anos haviam se passado, e até eu mesma, veja só que absurdo, já não era a mesma.

Entre todos os encontros e desencontros o tempo passou, e, a despeito de tudo, assim, sem nem pedir licença nem nada, tudo mudou. Mas ainda que eu não tenha visto esse tempo passar, agradeço por ter passado.

Hoje eu sou mais segura quanto as minhas inseguranças. Hoje eu sou mais amiga da minha solidão. Hoje minha solidão é solitude. Hoje eu não volto mais pra casa chorando ao som de Beatles depois de mais uma despedida sem sentido. Talvez eu coloque Queen. O fato é que hoje eu faço meus próprios caminhos e ouço minhas próprias músicas.

E afinal, onde foi parar o meu CD dos Beatles? Ok, nem tudo mudou. Eu ainda gosto de Beatles.


quarta-feira, 13 de abril de 2016

Pausa

Bate aquele tédio e aquela solidão que não deixa de ser boa.

Porque estar só é bom.

Ouvindo passarinhos cantar e pessoas conversar, na sombra de uma árvore em mais um dia ensolarado. Bate aquela brisa boa.

E eu penso em tudo de ruim que a vida poderia me oferecer agora, mas ela não oferece. Ela não oferece nada.

E o nada é bom.

E é entediante. Mas está tudo bem. Está tudo indo, fluindo, lentamente, como deve ser. Sem atropelos, sem desesperos. Tentando não deixar a ansiedade me sugar e me levar para longe, para aquele buraco tão fundo que só quem conhece pode entender.

E só quem já saiu pode dizer o quanto é bom respirar. Simplesmente respirar.

Que momento bom quando a gente apenas não se importa com o caos do mundo lá fora. Com o julgamento alheio. Com a maldade e a falta de percepção e de sensibilidade.

O mundo só é bom quando somos bons com nós mesmos.

Sábio é quem disse que aceitar-se é ser feliz. E eu sou feliz. 
E dane-se.

FCL/Ar - 13 de abril de 2016

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Achados e perdidos

Às vezes a gente se perde.

Tentando se encontrar. Tentando encontrar outra pessoa. Ser outra pessoa. Viver por outra pessoa. É sem querer, sabe. É querer tanto que se perde pelo que quer. Depois perde o que quer. Não sabe o que quer. Se perde.

Bom mesmo é quando a gente se encontra. Num sorriso, numa história, dentro de si, dentro de um abraço, onde quer que seja o seu lugar. E seu lugar está por aí. Às vezes, é preciso se perder para se encontrar.

Eu já me encontrei algumas tantas vezes por aí. Num corpo jovem, uma alma velha. É o que dá ser tão intensa. Viver cada dia como se fosse o último, como se fosse uma vida, porque é. Não cabem aqui as expectativas, os planos, os sonhos, é verdade. Somada experiência e a ansiedade, se aprende que não é bom levar em conta o incerto. O que não depende de você.

Então hoje, 8712 dias vividos até agora, eu faço meu próprio caminho. Ainda que eu perca, e eu me perco muito. Eu me distraio fácil. Mas eu me encontro.

Eu digo um monte de coisas para não dizer o que realmente tenho vontade de dizer. Se me perco nos caminhos, imagina nos discursos. Imagina dentro de mim. Imagina querendo me perder por aí. Querendo me perder em você.


terça-feira, 5 de abril de 2016

Vencer

É, já faz um tempo que não público nada aqui. Peço perdão, mais do que pra quem lê, para mim mesma. Perdão por não acreditar na minha capacidade, por achar que nunca está bom o suficiente, por não encontrar tempo para fazer o que me faz bem, por me esconder atrás de camadas e mais camadas de ilusão e me perder no cotidiano caos rotineiro. Perdão.

E eu tenho tanta coisa para falar, para compartilhar, para receber. Mas infelizmente, às vezes eu me esqueço de tudo isso, eu perco o rumo e o sentido. Eu deixo de acreditar em mim. Eu deixo de acreditar no mundo.

Minha caixa está cheia de rascunhos, e minha cabeça cheia de projetos que vem e vão, criam forma, crescem, ganham sentido e querem se concretizar, mas nunca chegam sequer ao papel.

Afinal, quantos sonhos desperdiçamos? Quanto tempo perdemos nos perdendo? Eu não sei as respostas. Se soubesse, estaria vivendo meus sonhos, não escrevendo sobre como os desperdiço.
O mundo é cruel e frustrante. Mais cruel e mais frustrante somos nós mesmos. Quando nos permitimos acreditar em nossa incapacidade de fazer algo. Nós podemos ser grandes e fazer grandes coisas, sei disso. Queria ter o poder transformar toda essa possibilidade em realidade. E quem mais pode, além de mim mesma?

Apesar de todos os obstáculos, descrenças, desmotivações, apesar de todo mal aqui dentro e lá fora, eu quero ser aquela pessoa que vence. Que luta, dia após dia, e não se rende.

Não é fácil, acredite. Se já não é fácil assumir para mim mesma minhas limitações e dificuldades, imagina superá-las. Imagina transparecer para o mundo tudo aquilo que me puxa para baixo e mais fundo. Tudo aquilo que eu sinto e não gostaria de sentir.

Mas sabe, eu preciso. Preciso superar, preciso ir em frente, apesar de toda a insegurança, o medo, a instabilidade, a rejeição. Nessa eterna batalha por autoconhecimento e um mínimo de sanidade, porque viver talvez seja sobre isso, afinal. Sobre o que mais seria?

Eu queria realmente que viver fosse fácil, fosse leve e prático. Para algumas pessoas parece ser. Mas eu não posso querer o que eu não posso ter, isso eu aprendi, então o jeito é viver com o que eu tenho. E o que eu tenho é isso. É o caos, a instabilidade, a insegurança, o medo, o recomeçar e recomeçar de novo. Quantas vidas eu tenho, já nem sei, eu já perdi as contas. Conto comigo e ninguém mais, e vivo do jeito que posso, que consigo, que vivo. Eu vivo. Eu venço.