Em um piscar de olhos não estava mais lá. Não só sumiu o CD, mas o carro, meu amado primeiro carro, onde eu o ouvia sem parar. Não estava mais lá a pessoa que me deu o CD, meu companheiro de aventuras e desventuras que ouviu comigo sem parar as mesmas músicas.
Quando dei por mim, os amigos já não eram os mesmos, assim o CD, o carro e o companheiro. E os anos haviam se passado, e até eu mesma, veja só que absurdo, já não era a mesma.
Entre todos os encontros e desencontros o tempo passou, e, a despeito de tudo, assim, sem nem pedir licença nem nada, tudo mudou. Mas ainda que eu não tenha visto esse tempo passar, agradeço por ter passado.
Hoje eu sou mais segura quanto as minhas inseguranças. Hoje eu sou mais amiga da minha solidão. Hoje minha solidão é solitude. Hoje eu não volto mais pra casa chorando ao som de Beatles depois de mais uma despedida sem sentido. Talvez eu coloque Queen. O fato é que hoje eu faço meus próprios caminhos e ouço minhas próprias músicas.
E afinal, onde foi parar o meu CD dos Beatles? Ok, nem tudo mudou. Eu ainda gosto de Beatles.

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