quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Finais e todos os seus clichês

Então, acabou.
Incrivelmente, eu gosto de finais. Aprendi a gostar deles ao mesmo passo em que aprendi a encará-los como novos começos. E eu adoro recomeços. Tenho gosto pelo incerto. Além do que, há sempre novos sonhos, novas esperanças e novas atitudes a se tomar. Você pode por tudo na balança, o que foi  bom e o que foi ruim, faça isso todos os dias, não somente quando o final chegar. Aprender com os próprios erros ainda é a forma mais eficiente de mudar. Transforme-se a cada dia e o mundo se transformará também.

É clichê, eu sei.
Mas é que um clichê às vezes cai bem.



Desejo que 2015 seja cheio de desejos.
Desejo sonhos, lutas e superações.

Este ano para mim foi ano de transições. Entre o carro próprio e ir à pé. Entre as botiques e os brechós. Entre a estabilidade e o incerto. Entre a alienação e o aprendizado. Hoje eu sei, que por tudo isso, estou um pouco mais perto de ser uma pessoa realizada, não pelo que esperam de mim, mas pelo que eu desejo para mim. E é exatamente isso que eu desejo, hoje, amanha e sempre, para todo o mundo: realização. Porque a vida é incrivelmente curta para ser só mais um (des)iludido.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Quereres

Queria pintar as unhas com uma cor alegre. Esboçar sorrisos nos rostos de quem não se cabe mais em dor. Queria entender o amor. E, principalmente, o desamor. Queria expressar o quanto estou feliz. O quanto ainda tenho de medo do mundo. Queria encontrar minha paz e mante-la dentro de mim. Me desfazer de minhas contradições. Queria segurar a sua mão. E queria também me manter afastada. Queria manter meu passo constante. E conhecer o que me levante se eu cair. Porque todos caem. Todos partem. E algo fica. Em tudo passa. Eu queria passar e só. Não repassar. Não fraquejar. Não lamentar. Queria não sentir vazio. Ou medo. Ou dor. Eu queria mesmo é viver e morrer por amor.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Words in the wind

Eu não sei se você me conhece. Mas se não conhecer, por favor, me encontre. Me mostre que a vida é mais do que histórias mal contadas. Mais do que desculpas efarrapadas. Eu peço apenas que seja sincero. Que continue firme se me quiser, mesmo quando descobrir defeitos que  nem eu sabia que tinha. Fora todos aqueles incorrigíveis que eu vivo tentando me corrigir. Me conquiste. Me convença. Mesmo que não seja fácil, apenas tente. Um dia após o outro. Um passo de cada vez, mesmo quando me ver atropelando a mim mesma enquanto tento ser suficiente pra mim e pra você. Você pode até rir. Mas me ajude a levantar quando eu tropeçar na minha pressa e cair. Não me deixe sem respostas. Não me diga que eu pergunto demais. Me prove que com você eu posso ter paz. Eu posso ser mais. Eu posso ser nós. 

quarta-feira, 2 de julho de 2014

What's hurt

Não há maneira de explicar a dor de saber que eu existo longe de você, mas eu preciso. Preciso te contar me lembrei de você vendo um video. Lendo um artigo. Conversando com um novo amigo. E preciso te dizer que você não é tudo, nem chega perto de ser. Há dias que passam sem que eu mencione você por qualquer bobagem, acompanhados da vaga sensação de que estou me esquecendo de alguma coisa. Estou me esquecendo de você. Estou vivendo sem você. Vivendo, sem porém. Sem e se. E como isso dói.

Saber que acabou. Que não existem mais desculpas para te procurar. Que eu estou bem sem você. Bem e ponto. Não tem entretanto. E isso dói.

Dói, mesmo que não faça sentido. Dói que nosso amor tenha se perdido. Dói que o meu coração não esteja partido. Que não haja mais esperança. Que seguimos em frente, sozinhos, que estamos melhor assim. Dói.

Nós que nunca fomos perfeitos, juntos poderiamos ser mais. Mas afinal acabou. E isso dói.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Naufrágios

Eu sabia que seria difícil. Mas sempre chega o momento em que precisamos parar de sonhar e simplesmente partir, foi o que eu ouvi dizer.

E eu nunca sei muito bem para onde ir. Mas chegou o momento em que qualquer lugar parecia melhor do que o que eu tinha. Perdi conforto e estabilidade para ganhar um horizonte completamente desconhecido. E quem disse que seria fácil? Ninguém disse. Só que eu precisava ir em frente. Sozinha. E aproveitar. E me virar.

Mas entre tudo que perdi, não nego que sou mais feliz com o que ganhei nessa conquista do novo. Ainda assim há vestígios de um medo antigo que me percegue. Fracasso. Pesado como uma âncora. Me faz frágil como um navio que não pode se mover. Me poupe, fracasso, eu te arrasto se preciso for, não posso ancorar agora, preciso continuar a todo vapor. 

domingo, 8 de junho de 2014

Sufoco

Às vezes, eu prefiro ler do que escrever. Acho que dói menos, sabe, me identificar com a dor alheia do que concretizar a minha própria em folha de papel ou tela de computador que seja. Escrevo mesmo assim. Escrevo versos soltos e frases incompletas. Me afogo então em tudo que fica entalado, que não sai de jeito algum.

E se. E se eu fosse menos propenssa a me distrair, a tropeçar e cair, se eu fosse mais direta e mais racional, eu não seria eu. Se eu fosse menos drama, menos lama e consequencia. 

Simplesmente mais simples. Mas é pesado e complicado. E enquanto não passa, paciência. 

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Presente

Hoje eu não coloquei sutiã para sair de casa. Nem me importei em verificar se minhas pernas estavam perfeitamente depiladas. As unhas eu já não pinto a pelo menos uma semana. Nem sequer parei para pensar em disfarçar qualquer defeito. Hoje, quando o sol invadiu a minha janela, eu não me preocupei com amores passados e nem com futuros. Não esperei que ninguém me ligasse pra dizer que sente saudade. Hoje, quando acordei, eu me lembrei que tenho tudo que me convém ter e que tudo que me tem, eu tenho também. Hoje eu vivi apenas por hoje. Hoje eu dei licença pro tempo passar como bem entendesse. Hoje eu me senti livre, e por isso me libertei. Hoje eu não pedi permissão nenhuma para ser feliz, eu simplesmente fui lá e fiz.

Namastê _/\_

domingo, 6 de abril de 2014

To the moon

Hoje em dia não vivo mais com a cabeça na lua e em seus dragões. Eu olho por onde ando e vejo bem com quem me envolvo. Hoje eu sei que se cheguei até aqui, posso ir muito mais longe.
Só não o quão mais longe eu quero ir. Sem me distrair, me falha o sonho, e me falta o sono. Ainda desejo saber qual a graça de viver sem graça. Se ao menos eu não fosse tão frágil e tão intensa, tão incerta e propença a destruir cuidadosamente toda farsa que eu invente...
O corpo não acompanha a alma. Eu nunca tenho calma, e sempre me atropelo no meio do caminho. E se eu tropeço e caio, metaforicamente ou não, eu sempre machuco bem mais do que o necessário. Pequena demais pra fazer tanto estrago, é o que dizem.
E entre o chão e o céu eu realmente não sei o que existe. Porque se me concentro no chão duro em que piso, é aí que eu me perco de mim.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Perecível

Certa vez me disseram que tudo que acontece, acontece da única maneira possível para nossa evolução. Aceitei isso como verdade plena e, de certa forma,  reconfortante. Tive que aceitar. Que outra justificativa para tanta barbaridade e sofrimento que há nesse mundo?
Somos seres mutantes e mutáveis, somos efêmeros, perecíveis e errantes.
Erramos ao acreditar, ou simplesmente esquecer por algum instante do contrario, que somos eternos e plenos, que temos o controle ou o domínio sobre o que quer seja, ou quem seja.
Somos únicos. Criamos e desfazemos laços, damos um nó vez ou outra e até remendamos pedaços soltos, mas continuamos a ser únicos e ímpares.
Feliz é aquele que aceita. Supera. Nem sempre é fácil, eu mesma vivo tendo que me lembrar dessas obviedades que tanta gente ainda nem se deu ao trabalho de enxergar. É mais fácil lamentar. É mais fácil praguejar e duvidar de sua fé. Mais fácil se entregar a dor e ignorar a naturalidade da vida.
Tudo que nasce, perece e morre. O que varia é o que se vive e o que se faz entre um momento e outro. Nem sempre será como queremos e com certeza isso te surpreenderá em algum momento. E como será então? Se tudo que você é e tudo que você ama cedo ou tarde vai acabar, nada te impede de fazer o melhor enquanto pode. Você pode?

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Sem território

Tive agora um momento de esclarecimento. Enquanto pensava na vida percebi que nunca fiz parte de nada, nenhum grande time ou grupo de amigos fixos, nem mesmo uma grande família unida dessas que se mete em tudo. Nunca tive um namorado muito participativo, nem mesmo um melhor amigo ou amiga do qual não desgrudasse nunca. Nunca entrei pra uma ceita ou mesmo segui fielmente uma religião onde pudesse me sentir em casa. Eu nunca me senti em casa, nem mesmo dentro dos muros que morei por tantos anos, ou o bairro, a cidade, eu nunca pertenci a lugar nenhum.

Será que o problema é comigo? Eu, que não tenho nenhum tipo de padrão comportamental ou físico. Será mesmo tão ruim  levar essa vida de forma tão transitória? Eu sempre quis criar raízes, e não ter tanta vontade de ir embora pra sabe-se lá onde. Sempre quis me prender a algo ou mesmo alguém, sempre estraguei tudo também. Entre querer ficar e deixar partir eu nunca soube o que existe. O que existe? O que faz um porto seguro para onde se possa e se queira voltar?

Eu tenho vontades que não sei explicar, e tenho saudades de coisas que ainda nem vivi. Há tanta gente esquisita e solitária por aí, será que mais alguém também se sente assim? Cada um com seu jeito e manias, qualidades e defeitos, se eu aceito tanta coisa, como posso não aceitar o simples fato de não conseguir me encaixar? Ser simplesmente turista, transitória, sem território, apenas ser e parar de procurar.


Ah, e tem o seu abraço, no seu abraço sim eu me encaixo...

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Deixa pra lá

Preciso recomeçar. E esquecer. Mas principalmente, esquecer.

As dores e os desamores, tudo que agora eu quero deixar para trás. Todo o peso extra da bagagem, tudo que não valeu a pena. Sim, precisamos aceitar que certas coisas simplesmente não valem a pena. Não valem o aprendizado, nem o tempo desperdiçado, muito menos o espaço desnecessário que ocupam dentro da gente. Algumas pessoas simplesmente vão nos decepcionar, nos despeçar, e só. Quem disse que há uma lição em tudo aquilo que vivemos? Eu sei que eu disse. Mas a lição agora é deixar pra lá. É parar de esperar que tudo sempre valha a pena, não vale. Não vai valer um dia.

A lição é não levar em conta o que não nos acrescentou nada de bom. É não remoer mágoas e decepções a espera de uma recompensa qualquer. É aceitar que simplesmente deixar pra lá pode valer muito mais a pena. Sem pena, sem dó. Recomeçar, e só.


sábado, 1 de fevereiro de 2014

Bad goodbye

Já basta de trocar de 6 por meia duzia. Quero sorrisos inteiros, olhares intensos e palavras que não precisam ser ditas, porque estão implícitas. Quero o verdadeiro e o completo. Sem porém, sem e se. Eu quero agora, amanha ou depois já é tarde demais pra ter tanta certeza. Amanha ou depois eu não sei o que será, o que serei, o que deveria ser não importa. O que já foi e o que é não importará. Não vá embora sem dizer até mais. Não me deixe partir se eu dizer nunca mais, nunca mais.

Até mais.

(foto da série "Follow me on" do fotógrafo Murad Osmann)

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

A ironia da terra de cegos

"Em terra de cegos, quem tem um olho é rei" - é mentira. Em terra de cegos, quem tem um olho é soberbo, arrogante, excomungado, excluído, julgado e simplesmente errado, sem argumentação plausível e não ofensiva. Mas isso, ironicamente, perante os olhos daqueles que não veem, dos que vivem em negação, como marionetes que acreditam fielmente que estão em pleno uso de sua liberdade, manipuladas e encantadas com falsos valores morais e éticos.

Quem tem um olho, em terra de cego, é audacioso e atrevido. Como pode alguém enxergar além daquilo que é imposto e aceito como verdades absolutas e irrevogáveis? Como pode alguém questionar os padrões de moral e ética de uma sociedade que então vive em paz como vive, com suas injustiças, mesquinharias e tudo mais? Como pode alguém escancarar o óbvio e descomplicar o que apenas por costume continuam complicando?

Quem defende os homossexuais é gay, e quem é hétero é preconceituoso. Quem é religioso é hipócrita e quem não é não tem salvação. Quem é negro é burro e quem não concorda é racista. Não se pode agradar ninguém em terra de cegos. Não se pode questionar as leis imaginárias da terra de cegos. Só um cego não vê isso.

Em terra de cegos, quem tem um olho, tape os dois.