terça-feira, 28 de janeiro de 2014

A ironia da terra de cegos

"Em terra de cegos, quem tem um olho é rei" - é mentira. Em terra de cegos, quem tem um olho é soberbo, arrogante, excomungado, excluído, julgado e simplesmente errado, sem argumentação plausível e não ofensiva. Mas isso, ironicamente, perante os olhos daqueles que não veem, dos que vivem em negação, como marionetes que acreditam fielmente que estão em pleno uso de sua liberdade, manipuladas e encantadas com falsos valores morais e éticos.

Quem tem um olho, em terra de cego, é audacioso e atrevido. Como pode alguém enxergar além daquilo que é imposto e aceito como verdades absolutas e irrevogáveis? Como pode alguém questionar os padrões de moral e ética de uma sociedade que então vive em paz como vive, com suas injustiças, mesquinharias e tudo mais? Como pode alguém escancarar o óbvio e descomplicar o que apenas por costume continuam complicando?

Quem defende os homossexuais é gay, e quem é hétero é preconceituoso. Quem é religioso é hipócrita e quem não é não tem salvação. Quem é negro é burro e quem não concorda é racista. Não se pode agradar ninguém em terra de cegos. Não se pode questionar as leis imaginárias da terra de cegos. Só um cego não vê isso.

Em terra de cegos, quem tem um olho, tape os dois.


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