terça-feira, 12 de julho de 2016

Sobre tesouros perdidos, mudanças e não saber.

Eu precisava mudar sabe? Precisava de uma nova perspectiva para seguir em frente.

E mudar não é fácil. Eu precisei enfiar um monte de coisas no fundo falso de uma gaveta que eu não pretendia abrir tão cedo. Só para ser mais fácil. Alguns podem chamar isso de egoísmo. Mas é preciso coragem para ser egoísta a esse ponto também. Quando a dor das lembranças e das perdas se torna mais intransponível do que o medo de se jogar no novo, sem olhar para trás, não há muito o que se possa fazer. Afinal, às vezes precisamos ser egoístas. É isso que nos faz suportar. É o que nos faz sobreviver, não é?

Entre tanto desamor. Entre tanta dúvida. Entre tanta instabilidade, insegurança, projeções, expectativas, sonhos interrompidos. Planos desdenhados. O que nos impulsiona a seguir em frente então se não o puro egoísmo de mudar? O que implica, inevitavelmente, em deixar uma série de coisas para trás, querendo ou não.

E eu, especialista em me perder tentando desesperadoramente me encontrar, fui arrumar minha bagunça e acabei abrindo a gaveta onde escondi tantos tesouros queridos que deixei para trás nessa mudança. Que nostalgia. Quanta saudade, quanta dúvida, quantos "e se" haviam ali. E quanta surpresa ao perceber que nada daquilo me pertencia mais. É, não adianta guardar tesouros no fundo falso de uma gaveta enquanto se muda para outra vida, fica a lição. Mas eu precisava. Eu precisava me mudar por completo. E não havia tempo para calcular a falta que me cada coisa me faria a longo prazo, então deixei de fazer falta.

E o que eu vou fazer? Eu não sei. Talvez juntar novos tesouros, talvez reconquistar alguns perdidos, talvez perder tudo de novo e começar de novo e de novo. Eu não sei. E há beleza no não saber. Certos momentos, e esse é um deles, tudo que precisamos é não saber.