Hoje em dia não vivo mais com a cabeça na lua e em seus dragões. Eu olho por onde ando e vejo bem com quem me envolvo. Hoje eu sei que se cheguei até aqui, posso ir muito mais longe.
Só não o quão mais longe eu quero ir. Sem me distrair, me falha o sonho, e me falta o sono. Ainda desejo saber qual a graça de viver sem graça. Se ao menos eu não fosse tão frágil e tão intensa, tão incerta e propença a destruir cuidadosamente toda farsa que eu invente...
O corpo não acompanha a alma. Eu nunca tenho calma, e sempre me atropelo no meio do caminho. E se eu tropeço e caio, metaforicamente ou não, eu sempre machuco bem mais do que o necessário. Pequena demais pra fazer tanto estrago, é o que dizem.
E entre o chão e o céu eu realmente não sei o que existe. Porque se me concentro no chão duro em que piso, é aí que eu me perco de mim.
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