sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Aprendendo com a dor

Você já perdeu alguém?

Alguém que você amasse muito, alguém que partiu para não voltar mais, alguém que se foi deixando um vazio tão grande dentro de você que transborda, não cabe mais em si. Alguém já levou um pedaço de você consigo?

Não dá mensurar a dor alheia. Isso, eu aprendi com a minha própria dor.

Somos feitos de pedaços, pedaços que a gente doa e pedaços que a gente recebe de outras pessoas ao longo da vida. Ninguém é inteiro sozinho, nem incompleto sem alguém.

Tenho aprendido muito ultimamente. Não só com a dor. Nem tudo é dor. Mas a dor ensina lições que não dá pra aprender em cartilha. Teoria é teoria. Mas você precisa de algumas cicatrizes que te lembrem que o fogo queima se você chegar perto demais, ou a tomar cuidado com objetos afiados, ou olhar por onde anda pra não cair de cara no chão.

Para algumas pessoas, a vida é simples. Rasa. Morna. Essas pessoas conseguem caminhar sem grandes problemas, cair sem grandes estragos e se levantar sem tanta dificuldade. Essas pessoas nem sempre entendem os abismos que outros carregam dentro de si. Não é uma opção, mas sim uma condição.

Talvez seja apenas um azar que enquanto vamos juntando esses pedaços que ganhamos e doamos ao longo da vida, se tropece e se caia em um desses abismos. Pode ser fatal. A gente nunca está preparado para dor, por mais previsível que esta seja. Às vezes a gente sabe que ela virá. E ela vem, devastadora ainda assim.

Não dá pra fugir da dor.


Pelos 3 meses em que Beatriz Schiavinatto deixou esse plano.
E pela morte do baixista Champignon, que estejam enfim em paz.

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