sábado, 13 de abril de 2013

Ouro de tolo



Certa vez um amigo me disse que a vida não é sobre encontrar-se, mas sim sobre criar a si mesmo. Bom, eu estou fazendo o meu melhor desde então. Faz mais sentido na verdade, sabe, em vez de ficar se procurando loucamente por aí. Fiz muito disso. E o engraçado é que eu conquistei tudo aquilo que pelo que procurei, e batalhei por isso, é claro. Mas ao contrário do que esperava, o sentimento de descontentamento continuava crescendo dentro de mim.

Assim como aquela criança que nunca termina aquilo que começa, eu experimentei todas as atividades possíveis e imagináveis para ver se me encontrava em alguma matéria, dança ou instrumento. Posso me gabar de ter acumulado muita experiencia com todo tipo de gente, mas não de me encontrar em nada daquilo. Sobra uma pilha de instrumentos e cadernos empoeirados, e essa busca incessante por sabe-se lá o que.

Quer saber? Não importa.

Bem mais do que tudo aquilo que já conquistei nessa busca, o que importa mesmo é por onde andei, com quem estive, o que aprendi e o que transmiti. E se não posso me encontrar, faço de mim aquilo que acredito que de melhor eu posso ser. Por isso sou. Por isso deixo de ser. Porque a vida não pára. Tolice é viver em estagnação.

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