terça-feira, 9 de julho de 2013

Take me a time

Queria poder apagar a luz, desligar a tv, o computador, o celular, a campainha, a companhia, a minha voz. Ficar quieta em um quarto escuro até amanhecer outro dia, longe dos pesadelos cansativos, da preguiça matinal, do tédio rotineiro. Queria um tempo sobrando, pra ficar parada, sem pressa, sem hora, sem precaução. Poder reiniciar minha mente, formatar tudo que está bagunçado, deletar o que houver de errado. Mas o tempo corre e nunca pára e eu tenho essa sensação desconfortável de que eu é que estou sempre correndo atrás dele, atrás de mim mesma, sempre perdendo a hora, o ponto, a linha. Não sei se ando só, ou se estou só acompanhada. Eu nunca sei a hora de parar, de deixar partir, de insistir ou de desistir. Eu nunca sei por que estou correndo tanto, por que estou afundando nessa cova rasa se foi eu mesma que a cavei. As armadilhas que sem querer eu crio para prender as pessoas e sempre acabo vítima de meu próprio jogo inconsciente. Sentindo a minha falta. Perdida em pensamentos que vem e vão e quase nunca dizem nada. Me apego a um pra ver se sossego, mas sempre há outro que vem do nada me distrair, me ironizar, me confundir. Aqui e ali, sempre errando o passo, sempre seguindo o descompasso de um coração insatisfeito e exigente. Sempre querendo ser mais gente, mais contente, menos ciente. Me equilibrando nessa fina corda bamba que me prende a realidade do mundo que não fui eu que criei. Me criei ao mundo para não me perder nele, e é em mim mesma que eu sempre acabo me perdendo. Nos labirintos que inventei para me proteger, mas que nunca me protegeram de mim mesma e nem de ninguém mais. Me faço e me refaço para não perder todo esse tempo em que eu vivo me perdendo. Me pertencendo mais ao caos do que a serenidade que tanto desejo. Eu vivo no sonho, na realidade, não. Na realidade, eu apenas me perco nessa mania insana de querer me encontrar.


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