Às vezes, por uma fração de segundo, me olho no espelho e sei exatamente quem eu sou. E sinto orgulho.
Essa sensação passageira se condiciona permeada por uma imensidão de inseguranças e incertezas sobre o eu e o mundo.
Porque nunca sou só eu.
Ainda que viva plenamente momentos de solitude e contemplação. Carregada de experiências ancestrais e coletivas.
Não sou "só eu".
Mas eu estou por aqui e acolá. Deixando minha marca na esperança única de que seja positiva de qualquer maneira a quem quer que seja.
Seja eu quem quer que seja.
Naquele momento breve, escovando meus dentes frente ao espelho.
Quase ignorando as cicatrizes do tempo bem vivido. Sempre a beira do excesso.
Transbordo.
Cuspo.
Enxáguo.
Sorrio.
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