Setembro passou voando e em meio ao caos e as reviravoltas que a vida dá, acabei não fazendo meu post anual sobre o Setembro Amarelo, a campanha de conscientização e prevenção do suicídio.
Mas como a própria campanha prega, nunca é tarde para falar sobre como nós nos sentimos.
Vou falar então sobre como minha vida mudou depois que eu parei com o antidepressivo, já que foi na última fase da terrível descontinuação que escrevi no ano passado.
Não estou curada da depressão, acho que uma vez tocado pela depressão nossa percepção de mundo nunca mais será a mesma e, por isso, não acredito que realmente se possa falar em cura - e essa é a minha perspectiva, baseada na minha experiência, não sou nenhuma especialista, mas as pessoas com quem já conversei e que também foram tocadas pela depressão, costumam concordar comigo nesse ponto. O que muda, então, é a forma de encara-la e lidar com ela. Os remédios me ajudaram e muito, não nego, mas a sensação de estar dopada, e não necessariamente melhor, me incomodava muito, por isso busquei outras maneiras de me sentir melhor.
Foi um período de muito autoconhecimento, quando encarei minha solidão e ela me encarou de volta. Primeiro eu a amei com todas as minhas forças, me metendo em um relacionamento abusivo com minha própria solidão, como foram todos os meus relacionamentos anteriores, até eu estar exausta novamente. Foi então que passei a buscar na identificação com pessoas que pensam e sentem de maneiras parecidas com a minha fechar o ciclo vicioso de autodestruição.
Olhando para tudo isso e me aprofundando no que estudo, a sociedade, eu percebo que o meu problema não é exatamente sobre ter depressão. É um sentir demais, se afetar demais e, principalmente, me matar pouco a pouco ao tentar me adaptar as mais variadas visões distorcidas de mundo e de amor.
Eu sempre disse que o amor é o grande tema da minha vida, mas só recentemente percebi que eu sou amor, e sempre serei amor. Primeiro tive que aceitar minhas verdades, por mais que doam e doem, porque nem todo mundo é e, principalmente, nem todo mundo é capaz de entender as dimensões desse amor. Percebendo que minha dor é reflexo do desamor, e não do amar demais, como pregam os indiferentes, deixei de me negar a sentir e entendi que era justamente nessa negação que se encontrava meu problema. Porque eu nunca deixei realmente de sentir, mesmo ao me negar, mesmo destroçada. Negar meu sentir como mecanismo para fugir das minhas dores era negar a mim mesma, e isso dói muito mais.
Então optei por amar. Optei por sentir e chorar as dores do mundo. Durante muito tempo a depressão e a pressão social me fizeram acreditar que eu não era capaz de sair do lugar. Mas minhas próprias lutas me fizeram acreditar que sou sim. Eu saí da minha zona de conforto traçada pela depressão e viajei sozinha, morei sozinha, estudei sozinha. Eu me abri para o mundo e mundo me mostrou que na realidade eu não estou sozinha, eu nunca estive. Eu só estava no lugar errado, às vezes física e às vezes mentalmente.
Agora sinto que estou no lugar certo, ou pelo menos no caminho certo. Tenho dias bons e dias ruins. Hoje particularmente estou num dia ruim, dado às condições do mundo que me afetam e me puxam para baixo. Mas mesmo assim, me sinto bem comigo mesma e tenho a paz necessária para dormir a noite sabendo que procuro cada vez mais viver de acordo com aquilo que eu acredito e aquilo que eu sou, que é o amor.
E assim eu sigo, sabendo que tudo vai ficar bem, mesmo que não fique.
💛🎗️
Lindo
ResponderExcluir