terça-feira, 23 de outubro de 2018

Poesia de reconhecimento

Eu não sei bem
para onde eu vou,
mas sei muito bem
de onde eu vim.

Vim da água doce do Rio
que me faz chorar quando seca.
De onde o peixe pára
e nada contra a correnteza.

O peixe não desiste
Resiste
Morre
Mas não se rende.

Na terra do sol
eu me formei.
Me tornei eu.
Virei gente e coração.

Mais coração do que gente.

Porque eu sei
muito bem de onde eu vim.
Eu vim da casa de esquina
de meio lote.

Eu vim da periferia
e eu tive o privilégio
que a periferia não teve
de sair de si.

A duras lágrimas eu vejo o mundo,
eu vejo as pessoas
e seus valores invertidos.
Confusos.

Eu não vi muito do mundo.
Mas vi o suficiente
para saber o que deve ser prioridade
e o que é velada maldade.

Peixe fora d'água eu sempre fui.
Descobri que posso ser cardume
E nadar contra
a correnteza também.

Pés no chão, tatuagens que representam de onde vim e onde estou.

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