Não somos feitos um para o outro. Não existe felizes para sempre. E, não, esse não é um texto amargurado sobre o amor. Pelo contrário.
Fui assistir ao seu jogo de futebol em um pequeno campeonato. Acho bonito como seus olhos brilham e seu rosto se ilumina já no aquecimento. Sua criança interior transparece, contemplada em chutar a bola de lá para cá com seus colegas.
Nunca fui esportista. Minha criança interior se desespera com o barulho das torcidas e gritos dos jogadores, a iluminação e os cheiros do ginásio me sufocam. Fiquei feliz por ter levado comigo um livro, sai e procurei por um banco distante o suficiente para abafar, mas não calar totalmente os barulhos do ginásio porque queria saber quando o jogo dele estivesse para começar.
Mais tarde conversamos sobre isso. Sobre as satisfações, insatisfações e nostalgia que esse evento nos trouxe, a partir de nossas diferentes vivências e percepções. Sempre que esses assuntos vêm à tona, brinco dizendo que não seríamos amigos na escola, ao que ele zombeteiramente responde que é provável que não, dada nossos 3 anos de diferença de idade, o que inconscientemente complemento com a distância entre nossas cidades de origem.
Então, a despeito de tudo isso, um dia nossos caminhos se cruzaram para valer. Em uma cidade na qual viemos para cursar a mesma universidade, porém em cursos e anos diferentes. Improvável, mas não impossível.
Como num filme clichê em que o atleta e a nerd se apaixonam em circunstâncias improváveis. Só que ao contrário, no contexto em que nos aproximamos não havia essas demarcações evidenciadas em nossas personalidades e o que nos uniu foram nossos pontos em comum.
Afinal, àquela altura da vida já havíamos nos libertado das caixas etiquetadas em que somos colocados e/ou nos colocamos. Então quando digo que não somos feitos um para o outro ou que não existe felizes para sempre, quero dizer que não somos feitos para ninguém em específico e que o que existe é o dia após dia. É preciso que se entenda que somos o que somos em nossa plenitude sozinhos para podermos nos acompanhar.
Cada um veio de um contexto, de uma experiência única e contínua. Se nada é para sempre é porque nós não somos seres estáveis e nossas vidas ímpares nos trouxeram até aqui. Então, talvez, todos os casais sejam mesmo improváveis. Pela soma mágica das probabilidades e coincidências que levam a uma união (e não faço ideia que soma é essa, nunca fui boa em matemática também).

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