domingo, 17 de setembro de 2017

5 mg

Passei muito mal a noite passada.

Coração acelerado, dificuldade para respirar, incapacidade de me mexer e de dormir, mesmo estando exausta.

Já falei bastante aqui, pouco abertamente, sobre a depressão. Mas dessa vez não se trata disso, não se trata de um ataque de pânico nem de ansiedade. Se trata de outra coisa: abstinência. Bati meu próprio recorde, quatro dias sem paroxetina. E mesmo durante essa crise, consegui me manter calma, respirar fundo e colocar na minha cabeça que sem pânico, tudo ia ficar bem quando eu acordasse no dia seguinte. E realmente, tudo ficou bem. Tomei 5 mg hoje para ficar bem e enfrentar a vida depois de uma noite tão difícil, porque não preciso aguentar tudo de uma vez.

Foram 6 anos de tratamento e pelo menos dois anos de descontinuação. Muitas vezes achei que não fosse conseguir. Pensei em me render, aceitar que talvez fosse depender desse remédio para o resto da vida. Mas tudo isso fez parte do meu processo de aceitação. Se hoje eu consigo falar abertamente sobre isso é porque aceitei minha condição. Aceitei que fosse como fosse, o que importa é me sentir bem.

Estou compartilhando esta experiência porque há um ano fiz um post aqui sobre o Setembro Amarelo, que para quem não sabe é uma campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio (mais informações no link). Aquele texto foi muito difícil de ser escrito, porque falar sobre a depressão é muito difícil. Viver e reviver a depressão é muito difícil. Mas eu também gostaria de falar sobre como melhorei no decorrer deste ano. Recebi alta da medicação, real oficial, e estou lidando com a última etapa da tão sofrida descontinuação, mas só porque eu estou realmente bem para lidar com ela.

Tudo tem seu tempo. Por mais que há um ano atrás isso parecia um clichê desesperador que eu continuava repetindo para mim mesma, sem encontrar sentido nenhum, hoje eu sei que é verdade. Leve o tempo que for, tudo vai ficar bem. Tudo está bem, mesmo que não esteja, porque tudo bem não estar bem. Fale sobre isso, fale com sua família, seus amigos, seu psicologo, fale comigo, com o CVV (Centro de Valorização da Vida - tel. 141).

Mas nunca deixe a dor te sufocar, porque eu prometo: vai passar.



Nenhum comentário:

Postar um comentário