E então, acabou. Foi o que ela disse para si mesma, meio que tentando convece-la. Não havia lágrimas em seus olhos, apenas o cansaço. De tentar e tentar e tentar, um dia cansou. Um dia teria que cansar. Não havia rancores, apenas o gosto amargo das lembranças boas que não o deixavam ir, todas elas cercadas pelas mentiras e desculpas esfarrapadas. Como na primeira vez que ele disse que amava, dois dias antes de beijar outra garota em sua frente.
Ela gostava de acreditar em suas mentiras, gostava de se iludir, gostava do desafio de ser aquela por quem ele mudaria. Mas ele não mudaria.
"O problema não é você, sou eu" - quantas vezes ouvira isso dele, enquanto pedia perdão por mais uma mancada, tentando consola-la por ser um cafajeste. Como isso parecia ironico agora. O problema não era o pobre coitado, ignorante, dominado por seus desejos futeis e pasageiros. O probelma era com ela mesma, que tão desesperada por amar alguém, amou a pessoa errada. Ela que sempre amara tanto a si própria, e agora era igualzinha aquelas bócos que ficam por aí chorando pelos cantos.
Mas agora havia acabado, tinha que acabar.
Olhou para os lados e não havia ninguém. Ninguém que para dizer "eu te disse" ou "vai passar". Quando foi que ela se tornara o caso perdido? Não era ele o incorrigivel? Ela não notou que, enquanto apenas respondia com "eu sei, eu sei" aos conselhos de quem tanto a amava realmente, foi afastando todos eles. Uma por uma das amigas, dos amigos, os garotos que se interessavam por ela, o pai ciumento e super protetor, a mãe super companheira, ninguém aguentava mais vê-la lutar por sua causa perdida. Só ela não percebia. Não percebia que os perdera por cada vez que com o coração em pedaços e lagrimas nos olhos, ela disse que dessa vez seria mesmo o fim, e depois voltava atrás.
Ela nem podia reclamar. Escolheu lutar sozinha e agora nem tinha ideia das incalculáveis coisas que perdera nessas idas e vindas sem fim. Todos os amores e coisas maravilhosas que não viveu porque estava lá, catando as migalhas do amor de alguém que não sabe amar.
Se arrepender não adiantava de nada.
Tinha mesmo era que por um ponto final nessa história torta, cheia de vírgulas e reticencias sem sentido. Porque às vezes um final feliz é isso. É você se levantando sozinha e seguindo a diante.
E então, acabou. É, acabou.

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