Eu achei que seria mais fácil, sabe, essa coisa toda de crescer.
Um dia, as mãos que nos seguravam firmes ao dar os primeiros passos, simplesmente vão querer nos ver andar sozinhos. É natural, mas não é fácil, temos que desapegar dos nossos medos e encarar alguns tombinhos até o dia em que isso será tão natural quanto respirar sempre foi.
É tipo aquele drama todo que fazemos quando tiram as rodinhas das nossas bicicletas e nós nos desesperamos até encontrar o equilíbrio. Ou quando nossos dentes de leite começam a cair, ou os sisos começam a nascer.
É como aprender a dirigir, saber o que fazer com apenas dois pés para três pedais. Coisas na vida que parecem impossíveis de se acostumar, mas que quando nos acostumamos, se tornam mais do que naturais, automáticos. E quanto tempo da vida passamos no piloto automático?
Até que a vida mais uma vez nos acorda com um tapa, e você tem que aprender a se adaptar as coisas novas de novo. Um novo emprego, um novo vizinho, um novo namorado, uma doença, um filho, um novo carro, uma nova lei, uma nova lingua.
E você nunca está pronto para andar, até que te largam sozinho. Nunca está pronto para andar de bicicleta, até que tiram suas rodinhas. Nunca estará pronto para mudar, mesmo que para melhor, até que a vida te imponha uma nova situação em que isso será necessário. Nunca vai amadurecer, se não passar por situações que te façam sofrer.
E depois, quando o pior passa, a gente percebe que tinhamos mesmo que passar por isso, e isso é amadurecer. É tirar lições onde outros só veriam dor.
E que toda essa dor nos ensine muito sobre a vida. Mas que ela passe logo também. Que nos reste sempre um sorriso a mais apesar disso. Que essa força toda nos leve a ir cada vez mais longe, e que o medo do incerto nunca nos paralise, pois tudo que passamos são pequenas provas de que podemos fazer coisas grandes.
"Não sabendo que era impossível, foi lá e fez."
Eu não sei quem falou isso, mas faz todo o sentido.

Nenhum comentário:
Postar um comentário